Nikolas quer processar Lula após ser exposto por favorecer o PCC

Atualizado em 29 de agosto de 2025 às 17:44
Nikolas Ferreira, deputado bolsonarista. Foto: reprodução

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que vai processar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após ser exposto ao ser citado em uma entrevista sobre a crise das fake news envolvendo o Pix e o consequente favorecimento ao crime organizado. “Vou levá-lo à Justiça”, disse o bolsonarista. “Sem provas, ele cometeu a canalhice de afirmar, dolosamente e sem prova nenhuma, que eu defendi o crime organizado. Uma mentira torpe, criminosa e irresponsável”.

A declaração de Lula foi feita nesta sexta-feira (29), em entrevista à Rádio Itatiaia, quando ele comentou as operações deflagradas nesta semana contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o uso de fintechs para lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.

O presidente não citou nomes, mas fez referência direta ao vídeo publicado por Nikolas no início do ano, durante a polêmica sobre a instrução normativa da Receita Federal. “Tem um deputado, que eu não vou dizer o nome dele aqui, que fez campanha contra as mudanças que a Receita Federal propôs. E, agora, está provado que o que ele estava fazendo era defender o crime organizado”, disse Lula.

Em janeiro, a Receita havia editado regras de fiscalização para pessoas físicas com rendimentos superiores a R$ 5 mil e R$ 15 mil para o caso das fintechs. O anúncio gerou boatos de que o Pix seria taxado, levando pequenos empresários e autônomos a criticar o governo. Nikolas publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que, embora não houvesse cobrança imediata, no futuro poderia haver taxação, “como no caso das blusinhas vindas da China”.

O conteúdo viralizou, foi apontado pelo Planalto como fake news e acabou forçando o recuo da medida, o que também atrasou a regulação sobre fintechs.

Na última quinta-feira (28), uma megaoperação nacional da Polícia Federal, do Ministério Público e da Receita Federal revelou que empresas de pagamento e distribuidoras de combustíveis foram usadas pelo PCC para movimentar bilhões em dinheiro ilícito. Só uma das fintechs investigadas teria registrado R$ 46 bilhões em operações não rastreáveis.

Para Lula, a resistência contra a regulação do setor ajudou, ainda que indiretamente, a manter brechas utilizadas pela facção criminosa. “A Polícia Federal vai mostrar a cara de quem faz parte do crime organizado neste país. E o ex-presidente que tome cuidado”, disse, também em referência a Jair Bolsonaro.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.