Atlética de medicina da USP expõe cartaz com indígena pisoteado e gera protestos

Atualizado em 29 de agosto de 2025 às 20:23
Cartaz colocado na sede da atlética de medicina da USP
Cartaz colocado na sede da atlética de medicina da USP – Reprodução/Instagram

A Faculdade de Medicina da USP iniciou apuração após a exposição de um cartaz considerado racista em frente à sede esportiva da atlética do curso. O material mostrava uma pessoa indígena sendo pisoteada e ameaçada com uma arma apontada para a cabeça. Estudantes rasgaram o cartaz na terça-feira (27) e exigiram punições aos responsáveis pelo ato, classificado como racista e violento. Com informações da Folha de S.Paulo.

O cartaz fazia referência à atlética de medicina da Unifesp, cujo mascote é um indígena, além de trazer símbolos relacionados às faculdades de medicina do ABC e da Santa Casa. A imagem foi interpretada por alunos e representantes indígenas como uma reprodução de estereótipos e de violência contra povos originários.

Em publicação nas redes sociais, a Associação Atlética Acadêmica Oswaldo Cruz, da USP, afirmou que a intenção era apenas ilustrar a rivalidade entre instituições diante da proximidade da Intermed, competição universitária que reúne estudantes de medicina de todo o país. A diretoria da Faculdade de Medicina, no entanto, informou que determinou a retirada imediata da faixa assim que tomou conhecimento do episódio.

“A própria associação reconheceu que a faixa não era apropriada e que desrespeitava a luta das comunidades tradicionais”, disse a instituição em nota. A faculdade também reiterou que não compactua com manifestações de preconceito, racismo, violência ou qualquer forma de discriminação e reafirmou compromisso com um ambiente acadêmico inclusivo e respeitoso.

O Levante Indígena da USP, coletivo que representa estudantes originários, exigiu a entrega do cartaz e realizou um ato em que rasgou o material. Segundo o grupo, o episódio tem dois aspectos graves: a representação explícita de violência contra um indígena e o uso da figura como mascote por outra instituição, prática classificada como “racismo recreativo”.

Para os integrantes do Levante, situações como essa refletem a ausência de estudantes indígenas em cursos de grande prestígio, consequência da falta de políticas mais efetivas de inclusão. Até a noite desta sexta-feira (29), a atlética de medicina da Unifesp não havia respondido aos questionamentos sobre o uso do mascote e a polêmica envolvendo a USP.

Jessica Alexandrino
Jessica Alexandrino é jornalista e trabalha no DCM desde 2022. Sempre gostou muito de escrever e decidiu que profissão queria seguir antes mesmo de ingressar no Ensino Médio. Tem passagens por outros portais de notícias e emissoras de TV, mas nas horas vagas gosta de viajar, assistir novelas e jogar tênis.