
A megaoperação deflagrada nesta semana revelou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) estruturou um esquema de lavagem de dinheiro bilionário utilizando o setor de combustíveis. A investigação apontou que a facção criminosa chegou a controlar ao menos 40 fundos de investimento, com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões. Com esses recursos, os criminosos adquiriram uma ampla variedade de bens de alto valor.
Segundo informações do jornal O Globo, entre os patrimônios identificados pelas autoridades estão 1.600 caminhões usados para transporte de combustíveis, quatro usinas de produção de álcool, seis fazendas localizadas no interior de São Paulo, mais de 100 imóveis em áreas nobres, um terminal portuário e até uma mansão avaliada em R$ 13 milhões em Trancoso, no sul da Bahia.
A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) entrou com ações cíveis para tentar bloquear mais de R$ 1 bilhão dos investigados e recuperar parte do dinheiro desviado. As apurações revelaram ainda que cerca de 1.560 postos de combustíveis ligados ao PCC movimentaram aproximadamente R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, recolhendo tributos em valores bem abaixo do devido.
Parte significativa desse montante passou por fintechs que funcionavam como “bancos paralelos”, dificultando o rastreamento do fluxo financeiro. Apenas uma dessas instituições movimentou mais de R$ 46 bilhões no período, reinvestidos em fundos, imóveis, usinas e frotas de veículos.

No centro das investigações estão os nomes de Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva. Ambos já haviam sido alvos de apurações anteriores do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) envolvendo fraudes fiscais, contábeis e lavagem de dinheiro. Apesar da identificação, eles não foram presos na fase atual da operação, mas permanecem sob investigação.
O esquema, segundo as autoridades, abrangia toda a cadeia do setor de combustíveis, desde a produção até a distribuição e a venda em postos de gasolina. O grupo também importava insumos estratégicos, como nafta e metanol, utilizados na formulação de gasolina e diesel. Essa estrutura complexa permitia ao PCC manter controle direto sobre etapas fundamentais da cadeia de abastecimento.
A operação também impactou o centro financeiro de São Paulo, com forte movimentação policial registrada na avenida Faria Lima, onde parte das empresas ligadas ao esquema mantinha atuação. Viaturas, agentes e equipes especializadas participaram da ação, que reforça o alcance da facção não apenas em áreas periféricas, mas também em setores estratégicos da economia formal.