
O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), aliado de Jair Bolsonaro, voltou a gerar polêmica nas redes sociais após atacar o ator Wagner Moura. O parlamentar sugeriu que autoridades dos Estados Unidos investiguem o artista, que vive no país, por críticas ao trumpismo e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em mensagem direcionada ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, Gayer chamou Moura de “extremista” e insinuou que sua presença deveria ser monitorada. A declaração ocorreu depois de entrevistas em que o ator destacou a dificuldade dos EUA em lidar com movimentos golpistas internos.
Em resposta, Gayer recorreu ao expediente de acusar opositores de ameaçar a democracia, justamente enquanto defende figuras associadas ao ataque às instituições brasileiras. Para analistas, a reação se insere em uma estratégia populista de mobilizar as bases mais radicais do bolsonarismo.
O episódio evidencia uma contradição: setores da extrema direita dizem defender a liberdade de expressão, mas pedem sanções contra um artista por exercer esse direito. O caso foi recebido como sinal da disposição desses grupos em usar qualquer recurso para silenciar vozes críticas, ainda que isso envolva acionar governos estrangeiros contra cidadãos brasileiros.
https://twitter.com/GayerGus/status/1967368854960742516
Nos Estados Unidos, Donald Trump já havia dado declarações semelhantes durante sua campanha de 2024, ao prometer agir contra o que chamou de “inimigos internos”. A retórica foi interpretada como ameaça a opositores e ecoa agora em setores bolsonaristas, que buscam respaldo externo em meio ao isolamento político no Brasil.
Observadores lembram que a tentativa de recorrer a potências estrangeiras não é novidade na história. Governos e movimentos que apostaram nessa estratégia acabaram cedendo riquezas nacionais e autonomia política, em troca de apoio para se manter no poder.
Para críticos, esse movimento atual expõe a dependência de uma parte da extrema direita brasileira em relação a aliados externos.
No caso de Wagner Moura, a sugestão de deportação vai além de um ataque pessoal: representa, para muitos, um sinal do avanço de um discurso disposto a entregar compatriotas em troca de benefícios políticos. É o que especialistas chamam de “complexo de vira-lata institucionalizado”, quando a busca pelo poder se sobrepõe até mesmo à defesa de cidadãos brasileiros.