
Durante reunião com ministros, o presidente Lula (PT) expressou irritação com o relatório inicial do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) sobre o projeto da Lei Antifacção. O petista afirmou que “roubaram o projeto do governo”, em referência à decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de entregar a relatoria a um parlamentar da oposição.
Segundo dois ministros presentes ouvidos pelo Blog do Valdo Cruz no g1, o presidente avaliou que a manobra teve como objetivo “tirar do governo a autoria de um projeto importante para o combate à segurança”.
Para Lula, a indicação de Derrite, ex-secretário de Segurança do governador Tarcísio de Freitas, foi uma tentativa da direita de se apropriar de uma pauta sensível e de grande apelo público. “Foi de propósito, para tirar do governo a autoria de um projeto importante para o combate da segurança, ou seja, roubaram o projeto do governo”, teria dito o presidente, segundo relatos feitos ao blog.
A equipe do Planalto avalia que setores da oposição buscam impedir que o governo petista ganhe protagonismo no enfrentamento ao crime organizado, tema que tem afetado a popularidade presidencial. A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta (12) mostrou que a segurança pública é o principal ponto de desgaste da gestão Lula.

O desabafo do presidente ocorreu na terça (11), em meio à repercussão negativa do relatório de Derrite, que, em sua versão inicial, reduzia a autonomia da Polícia Federal e modificava trechos da Lei Antiterrorismo. O texto foi amplamente criticado por ministros e por aliados no Congresso, que apontaram risco de enfraquecimento de órgãos federais de investigação.
Na avaliação do governo, o desgaste se transformou em oportunidade política. A estratégia passou a ser expor que Derrite, que é bolsonarista, tenta “tirar a PF do combate ao crime para favorecer grupos de direita”.
No fim da tarde de terça, ao lado de Hugo Motta, Derrite anunciou a retirada de todas as alterações que afetavam a PF, a Receita Federal e o Ministério Público. O deputado declarou que não faria mais mudanças na Lei Antiterrorismo, revertendo os pontos mais polêmicos do texto.
O Planalto recebeu o novo relatório à noite e confirmou os recuos. O sentimento dentro do governo foi de alívio. Para a equipe presidencial, apesar da perda de protagonismo inicial, a pressão política e o discurso público conseguiram “virar o jogo” e restabelecer a narrativa de que o Executivo defende o fortalecimento das instituições de segurança e investigação.