A visão do Planalto sobre o impacto eleitoral das tratativas com os EUA

Atualizado em 28 de novembro de 2025 às 21:25
Os presidentes dos Estados Unidos e do Brasil, Donald Trump e Lula, sentados frente à frente, conversando
Os presidentes dos Estados Unidos e do Brasil, Donald Trump e Lula – Reprodução

Integrantes do governo Lula afirmaram nesta sexta-feira (28) que a normalização das relações entre o Brasil e os Estados Unidos tem como objetivo reduzir riscos de interferências externas durante a eleição de 2026. O foco inicial das negociações envolve a diminuição das tarifas que ainda atingem cerca de 22% das exportações brasileiras para o mercado americano e a retirada das sanções da Lei Magnitsky aplicadas ao ministro Alexandre de Moraes. Com informações da Folha de S.Paulo.

Segundo membros do governo, uma relação mais estável com Washington reduz a possibilidade de atritos institucionais caso algum ministro do TSE adote medidas direcionadas a plataformas de internet durante o processo eleitoral. Uma eventual sanção por parte da administração Trump, sob alegação de impacto sobre empresas americanas, é citada como hipótese a ser evitada.

Ainda não há data definida para a próxima rodada das tratativas. O Itamaraty prepara reuniões envolvendo o ministro Mauro Vieira e o secretário de Estado Marco Rubio; o ministro da Fazenda Fernando Haddad e o secretário do Tesouro Scott Bessent; além do vice-presidente Geraldo Alckmin, também ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e o secretário de Comércio Howard Lutnick.

ministro Mauro Vieira e o secretário de Estado Marco Rubio em pé, frente à frente, conversando
O ministro Mauro Vieira e o secretário de Estado Marco Rubio – Reprodução

O Brasil aguardava um retorno dos Estados Unidos para que o encontro ocorresse ainda neste ano, mas não houve resposta até o momento. As conversas seguem em planejamento bilateral, segundo integrantes do governo.

Também está prevista uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump no ano que vem. Em 2026, Lula terá agenda externa reduzida por causa do período eleitoral, com participação em cúpulas consideradas essenciais, como Brics na Índia, G20 nos Estados Unidos, COP31 na Turquia, Mercosul no Paraguai e Assembleia Geral da ONU em Nova York.

Além desses compromissos, o presidente planeja duas viagens: uma visita de Estado à Índia, em fevereiro, que pode incluir outro país asiático, e uma ida à Alemanha no final de abril, quando o Brasil será o país homenageado da Feira de Hannover. Líderes do Canadá, Mark Carney; da Turquia, Recep Erdogan; e da África do Sul, Cyril Ramaphosa, também devem visitar o Brasil ao longo de 2026.

Jessica Alexandrino
Jessica Alexandrino é jornalista e trabalha no DCM desde 2022. Sempre gostou muito de escrever e decidiu que profissão queria seguir antes mesmo de ingressar no Ensino Médio. Tem passagens por outros portais de notícias e emissoras de TV, mas nas horas vagas gosta de viajar, assistir novelas e jogar tênis.