Ex-presidente de Honduras preso por narcotráfico recebe perdão de Trump

Atualizado em 28 de novembro de 2025 às 23:54
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández. Foto: Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (28) o perdão ao ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández, condenado por narcotráfico, e usou o gesto para pressionar o país centro-americano às vésperas das eleições, vinculando o indulto à vitória de seu candidato preferido.

O ex-mandatário hondurenho cumpre pena de 45 anos nos Estados Unidos e foi beneficiado após uma publicação de Trump em sua plataforma Truth Social. Ao conceder o indulto, Trump declarou apoio explícito a Nasry Asfura, candidato do Partido Nacional e aliado político de Hernández.

“Se ele não ganhar, os Estados Unidos não desperdiçarão mais dinheiro, porque um líder errado só pode trazer resultados catastróficos a um país, seja qual for”, escreveu. A disputa envolve também Rixi Moncada, do governista Partido Livre, e Salvador Nasralla, do Partido Liberal.

Após o gesto de Trump, Asfura afirmou que não tem “nenhuma vinculação” com Hernández: “Ele foi presidente da República. O partido não é responsável por ações pessoais”.

Trump ainda acusou Nasralla de dividir votos de Asfura e criticou Moncada, chamando-a de “comunista” e afirmando que sua eventual vitória seria um triunfo para “Nicolás Maduro e seus narcoterroristas”.

O indulto ocorre enquanto os Estados Unidos mantêm operações militares no Caribe e no Pacífico contra o tráfico de drogas, que desde setembro já destruíram mais de 20 embarcações e deixaram ao menos 83 mortos.

Histórico de Juan Orlando Hernández

Extraditado a poucas semanas de deixar a presidência em 2022, Hernández foi condenado em março de 2024 em Nova York por facilitar a entrada de centenas de toneladas de cocaína nos Estados Unidos desde 2004.
Trump, no entanto, alegou que o ex-presidente foi “tratado de forma muito dura e injusta”.

A sentença, na época, foi defendida pelo então procurador-geral Merrick Garland, que afirmou que Hernández “abusou de seu poder para apoiar uma das maiores e mais violentas conspirações de narcotráfico do mundo”.