
O Papa Leão XIV escolheu a Turquia para sua primeira viagem internacional desde sua eleição, em maio. Neste sábado (29), o pontífice americano-peruano visitou Istambul e fez um gesto simbólico de aproximação ao Islã ao entrar na Mesquita Azul, um dos templos mais emblemáticos da cidade.
A visita durou cerca de quinze minutos. Seguindo o costume muçulmano, Leão XIV tirou os sapatos e caminhou de meias brancas pelo edifício otomano do século XVII. Diferentemente de seu antecessor, não rezou no local; segundo o Vaticano, viveu o momento “em silêncio, em espírito de recolhimento e escuta”, com “profundo respeito pelo local e pela fé daqueles que ali se reúnem em oração”.
Ele foi acompanhado pelo ministro da Cultura e Turismo, Mehmet Nuri Ersoy, pelo mufti de Istambul, Emrullah Tuncel, e pelo imã Fatih Kaya, que explicaram a história da mesquita, famosa pelos azulejos de Iznik. Turistas que aguardavam do lado de fora aplaudiram o comboio papal. “É positivo e corajoso… ele traz a paz consigo”, disse uma turista italiana à AFP.
Mesmo a apenas 300 metros dali, Leão XIV não visitou a Basílica de Santa Sofia, convertida novamente em mesquita em 2020 por decisão do presidente Recep Tayyip Erdogan — medida que, na época, deixou o Papa Francisco “muito triste”.
A agenda incluiu também encontros com líderes cristãos. O pontífice se reuniu com representantes de igrejas na igreja síria ortodoxa de Mor Ephrem, participou de uma oração na igreja de São Jorge e teve novo encontro com o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I. Ao final, ambos assinaram uma declaração conjunta destacando a importância do diálogo inter-religioso e da cooperação entre povos para enfrentar intolerância, xenofobia e destruição da criação. Apesar do cenário global tenso, afirmam manter “a esperança”.

O religioso reiterou que que as guerras atuais são como uma “Terceira Guerra Mundial travada aos poucos” – repetindo uma expressão usada por Francisco, em referência a conflitos como na Síria e Ucrânia.