
O tal “calvo do Campari” já está livre depois de agredir a namorada, Lais Angeli Gamarra — violência comprovada em exame de corpo de delito.
Thiago Schutz se tornou conhecido após participar do reality “O Crush Perfeito”. Surfou na onda, ganhou seguidores e construiu uma persona de “coach de masculinidade”, defendendo abertamente o ódio às mulheres.
É importante frisar o conceito de redpills, caso alguém ainda não esteja familiarizado: homens rejeitados por mulheres livres se juntam para decidir como as mulheres devem se comportar, sustentando que somos manipuladoras, interesseiras ou inferiores.
Em outras palavras: homens de masculinidade frágil, ressentidos, passam a exigir submissão e obediência, já que — segundo eles — o homem é um “líder natural”.
Quando um influenciador de masculinidade (seria cômico se não fosse trágico) propaga uma ideologia que desclassifica mulheres deliberadamente, algo precisa ser visto com atenção: por que a violência simbólica dos red pills não é punida?
NÃO FALHA! Thiago Schutz, o “Coach de Masculinidade” conhecido como Calvo
da Campari e ícone do movimento Red Pill, foi preso hoje em flagrante por violência doméstica. O vídeo registra as agressões, e a namorada relatou que ele também tentou estuprá-la. pic.twitter.com/LYQX8fpCMQ— Lázaro Rosa 🇧🇷 (@lazarorosa25) November 29, 2025
Pensemos: se um racista inventasse um curso sobre como ser racista, estaria preso; mas quando o alvo é mulher, aparentemente, tudo é permitido.
Abençoado com a impunidade, Thiago foi solto provisoriamente mesmo tendo sido preso em flagrante — uma aberração jurídica injustificável. A mulher apanhou tanto e sentiu tanto medo que fugiu. Foi encontrada na rua com marcas claras de agressão. Na delegacia, ele prestou depoimento e saiu pela porta da frente, livre para agredir de novo ou, quem sabe, terminar o serviço.
Graças a uma medida protetiva, ele não pode se aproximar da ex-namorada. Infelizmente, isso não significa muita coisa: mais de 18% das medidas protetivas no Brasil são descumpridas, quase nunca resultando em prisão, ao contrário do que determina a lei. Uma ideologia completamente apoiada na misoginia deveria, por si só, ser crime.
Em vez disso, imbecis como o calvo do Campari seguem dizendo (e fazendo) absurdos sem nenhuma consequência. Pior: esse tipo de violentador tem fãs — mais de 400 mil seguidores — o que diz muito sobre o estado emocional e moral de parte da nossa população.
E é necessário perguntar o óbvio: se misoginia é crime, por que seguimos admitindo conteúdos ofensivos e violentos como os dele? Ninguém se importa. E ainda tem quem defenda a “liberdade de expressão” desses vermes — liberdade para odiar mulheres, não só no discurso, mas, como provou Thiago, também na prática. Liberdade de expressão é meu ovário.
O fato é simples: esse sujeito deveria ser seguido apenas pela polícia. O problema é que temos muitos exemplares como ele — e, no país que mais mata mulheres no mundo, a misoginia virou ideologia.
Enquanto a violência simbólica contra mulheres continuar sendo tratada como “conteúdo” e não como crime, todo Thiago Schutz da vida se sentirá autorizado a existir, a lucrar e a bater. O caso do calvo do Campari não é exceção: é sintoma. E o Brasil, ao permitir que essa doença se espalhe sem tratamento, escolhe todos os dias quem pode viver — e quem pode ser espancada até que vire só mais um número no feminicidômetro.