Paulo Figueiredo usa imagem falsa de Trump em seu casamento e bolsonaristas acreditam

Atualizado em 30 de novembro de 2025 às 14:57
Paulo Figueiredo em live e a foto falsa que inclui Donald Trump. Reprodução/@realpfigueiredo08

O empresário picareta Paulo Figueiredo — réu no processo que investiga a tentativa de golpe — publicou em seu Instagram uma imagem gerada por inteligência artificial que o coloca ao lado de Donald Trump em uma cena fictícia de seu próprio casamento.

A cena é toda mandrake, a começar pela estatura de Figueiredo, um anão, que aparece com a mesma altura de Trump (1 metro e 90). A foto real do oficiante da cerimônia está postada nesta matéria.

Em vez de rejeitar a montagem ou pedir moderação, vários perfis conhecidos de extrema-direita decidiram sustentar a fake news em que caíram os bolsonaristas. Alguns afirmaram ter “presenciado” o suposto encontro com Trump; outros disseram que “sabiam” da proximidade entre os dois.

A estratégia funciona porque a fronteira entre piada, invenção e afirmação política é deliberadamente diluída. Nesse ambiente, até uma palhaçada criada artificialmente pode ser aproveitada para reforçar a ideia de que Figueiredo transita por espaços de poder após ser chutado pelo governo americano juntamente com seu comparsa Eduardo Bolsonaro.

A montagem com Donald Trump como celebrante e a foto original. Reprodução/Redes Sociais

Decisão do STF envolvendo o pai do influenciador

Na sexta, 28, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, negou o pedido de emissão de um passaporte provisório para Paulo Renato de Oliveira Figueiredo, pai do blogueiro. A defesa tentava autorização excepcional para que ele viajasse aos Estados Unidos e participasse do casamento do filho, marcado para ocorrer em Miami. O documento teria validade de cinco dias.

O passaporte de Paulo Renato está retido pela Justiça do Rio de Janeiro por causa de execuções de dívidas em seu nome. A retenção não tem relação com o processo criminal que envolve seu filho no STF. Na decisão, Dino destacou que não houve comprovação de garantia das dívidas que motivaram a medida — ponto considerado imprescindível para avaliar o pedido.

Reportagem do DCM mostra que pai e filho tiveram seus nomes inseridos na Dívida Ativa da União por não pagarem multas que ultrapassam os R$ 100 milhões impostas pela Comissão de Valores Mobiliários, órgão vinculado ao ministério da Fazenda.

Paulo Figueiredo, que vive atualmente nos Estados Unidos, tornou-se réu no STF ao lado do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A ação penal foi aberta a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que acusa ambos de atuarem para constranger o Judiciário e tentar dificultar investigações relacionadas ao inquérito da tentativa de golpe.

Segundo a PGR, os dois teriam cometido o crime de coação no curso do processo.