
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, reagiu à mais recente escalada do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ordenou que companhias aéreas e até “traficantes de drogas e de pessoas” considerem o espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela “totalmente fechado”. A declaração, feita no sábado (29) na rede Truth Social, provocou forte reação regional e levou o governo venezuelano a classificar o aviso como “ameaça colonialista”.
Petro, sem citar Trump diretamente, questionou o fundamento legal da ordem. “Quero saber sob qual norma de direito internacional um presidente de um país pode fechar o espaço aéreo de outra nação?”, escreveu no X. Para ele, um presidente estrangeiro não pode determinar a interdição do espaço aéreo de outro país, sob risco de esvaziar o próprio conceito de soberania nacional.
“Um espaço aéreo nacional não pode ser fechado por um presidente estrangeiro, ou acabou o conceito de soberania nacional e o conceito de ‘direito internacional'”, afirmou o colombiano, que também publicou a crítica no perfil oficial da Celac, da qual ocupa a presidência temporária.
O presidente da Colômbia também criticou a Oaci, órgão global responsável por regular a aviação civil. Segundo Petro, se um chefe de Estado estrangeiro consegue impor o fechamento do espaço aéreo de outro país sem respaldo normativo, a agência falha em sua função. A crítica reflete a tensão crescente na região diante da postura estadunidense.
El cierre del espacio aéreo de Venezuela es completamente ilegal. La OACI debe reunirse de inmediato.
El secretario general de la OACI debe convocar de inmediato la Asamblea
No hay autorización del consejo de seguridad de la ONU para acciones militares sobre nuestro vecino.
El…
— Gustavo Petro (@petrogustavo) November 30, 2025
No sábado, Trump reforçou o alerta anterior, emitido em 21 de novembro, quando autoridades da aviação dos Estados Unidos recomendaram que aeronaves civis evitassem sobrevoar a Venezuela devido à “situação de segurança que piora” e ao aumento das atividades militares.
A diferença é que, desta vez, o presidente falou explicitamente em “espaço aéreo fechado”, ampliando o impacto político e diplomático da declaração.
A escalada verbal levou a reações imediatas. Desde a primeira recomendação dos EUA, seis companhias aéreas suspenderam voos de e para o país: Iberia, TAP, Avianca, Latam Colômbia, Gol e Turkish Airlines.
Em resposta, a autoridade aérea venezuelana revogou as permissões dessas empresas para operar no país, aprofundando o isolamento da Venezuela na aviação comercial da América do Sul.
Paralelamente ao impasse aéreo, Trump afirmou que ofensivas terrestres contra o narcotráfico venezuelano podem começar “muito em breve”.
Em conversa com militares, ele disse que o tráfico marítimo está diminuindo e que os Estados Unidos agora buscarão impedir o transporte por terra, considerado por ele “mais fácil”. “Alertamos eles a pararem de enviar veneno para o nosso país”, declarou.