“Trump nos usou”: a sensação dos bolsonaristas após a queda das sanções a Moraes

Atualizado em 12 de dezembro de 2025 às 22:25
Os presidentes dos EUA, Donald Trump, e do Brasil, Lula. Foto: Ricardo Stuckert/PR

A retirada do ministro Alexandre de Moraes da lista de sancionados pela Lei Magnitsky, anunciada nesta quinta-feira (12) pelo governo Donald Trump, gerou contrariedade entre a extrema-direita. O grupo avaliou que o gesto reduziu o alcance político da iniciativa defendida por Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, já que o recuo ocorreu após meses de articulação do deputado. Com informações do Globo.

Nos bastidores, lideranças classificaram o desfecho como “péssimo” e “aterrador”. Um deputado do PL afirmou que “Trump nos usou”, ao citar o fato de o ex-presidente americano ter aplicado a sanção e revertido a medida meses depois. Para o grupo, a mudança frustrou a expectativa de que o governo dos Estados Unidos manteria pressão sobre Moraes.

Parlamentares lembraram que Jair Bolsonaro foi condenado por envolvimento com os golpistas do 8 de janeiro há cerca de duas semanas e afirmaram que esperavam um prazo maior para que a sanção permanecesse em vigor. Entre aliados, o entendimento é que o recuo interrompe qualquer possibilidade de desgaste internacional para o ministro do Supremo. O deputado Bibo Nunes (PL-RS) declarou estar “profundamente chocado” com a decisão.

Moraes havia sido incluído na lista de alvos da Magnitsky em julho, no mesmo dia em que Trump anunciou tarifa de 50% sobre exportações brasileiras. Na ocasião, a Casa Branca mencionou a atuação do ministro no processo que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses. No entorno de Trump, Moraes era apontado como responsável por medidas vistas como excessivas no caso.

Após o recuo, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que Trump “tem interesses americanos em primeiro lugar” e declarou que o partido é “grato” ao ex-presidente por sua atuação. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que a decisão não altera sua opinião sobre Moraes. Outros aliados evitaram comentários políticos diretos e mantiveram críticas ao ministro.

Eduardo Bolsonaro e o blogueiro Paulo Figueiredo divulgaram nota conjunta lamentando a decisão dos EUA e agradecendo a Trump pelo apoio ao longo do processo. No texto, afirmaram que seguirão atuando nos Estados Unidos pelo tempo que considerarem necessário e relacionaram o desfecho à falta de unidade política no Brasil para lidar com temas estruturais.