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Justiça determina a prisão do ex-presidente Luis Arce por cinco meses

Luis Arce, ex-presidente da Bolívia, sendo escoltado por policiais após audiência
Luis Arce, ex-presidente da Bolívia, sendo escoltado por policiais após audiência – Jorge Bernal/AFP

Um juiz da Bolívia determinou que o ex-presidente Luis Arce permanecerá por cinco meses em prisão provisória. Arce foi detido na última quarta-feira (10) no âmbito de uma investigação relacionada a supostas transferências de recursos públicos para contas privadas durante a década passada. Ele é acusado de descumprimento de deveres e conduta antieconômica e afirma ser inocente.

A decisão foi tomada após uma audiência virtual que durou quase seis horas. O juiz Elmer Laura afirmou que existem indícios de culpa e mencionou riscos à investigação, já que dezenas de suspeitos e testemunhas ainda precisam ser ouvidos.

A Justiça rejeitou os argumentos da defesa, que apontavam residência fixa, trabalho como professor universitário e questões de saúde, incluindo tratamento contra um câncer linfático. A promotoria havia solicitado prisão provisória por três meses.

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Durante a audiência, Arce acompanhou o julgamento a partir de uma delegacia em La Paz, onde está sob custódia. Ele declarou ser “absolutamente inocente” e acusou o atual presidente, Rodrigo Paz, de perseguição política. O ex-presidente também afirmou que sua detenção foi ilegal e relatou que foi levado por homens encapuzados em uma van sem que lhe fosse apresentado mandado de prisão.

Luis Arce governou a Bolívia de 2020 até novembro do ano passado. O processo está ligado ao período em que ele atuou como ministro da Economia no governo de Evo Morales, no MAS (Movimento Ao Socialismo).

A investigação envolve o antigo Fundo para o Desenvolvimento dos Povos Originários, encerrado em 2015 após denúncias de desvios. Segundo os promotores, o prejuízo estimado ao Estado é de 360 milhões de bolivianos, o equivalente a cerca de R$ 282 milhões.