
A produtora e empresária Paula Lavigne afirmou, em áudio que circula em grupos de WhatsApp, que integrantes do PCdoB estariam articulando a saída da ministra da Cultura, Margareth Menezes. A declaração foi divulgada nesta sexta-feira (12) pela coluna da jornalista Mônica Bergamo, da “Folha de S.Paulo”.
No material, Paula diz que se arrepende de ter atuado politicamente para a nomeação de Paulo Alcoforado como diretor da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Segundo ela, Alcoforado teria orientado o ator Wagner Moura a gravar um vídeo com críticas à condução do projeto de lei que trata da regulamentação do streaming.
No áudio, Paula afirma que o diretor da Ancine, o ex-presidente da Ancine Manoel Rangel e a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) estariam atuando contra a ministra. “Muito arrependida de ter ajudado a colocar esse senhor Paulo Alcoforado, que junto com Jandira e Manoel Rangel conspiram contra a Maga”, diz.
Ainda segundo a produtora, Jandira teria interesse direto na chefia do Ministério da Cultura. “A Jandira queria ser ministra. A verdade é essa”, afirma Paula, acrescentando que passou a falar publicamente após observar movimentações internas no setor cultural.
MÔNICA BERGAMO | A produtora e empresária Paula Lavigne diz, em áudio que circula em grupos de WhatsApp, ter se revoltado ao ver o vídeo do ator Wagner Moura cobrando maior empenho do governo Lula na articulação do projeto de lei de regulamentação do streaming. Ainda no áudio, a… pic.twitter.com/BhfAaAsZt1
— Folha de S.Paulo (@folha) December 12, 2025
Procurada pela coluna, Jandira Feghali negou as acusações. A deputada afirmou manter relação de “parceria e apoio” com Margareth Menezes e declarou que não perde tempo com “intrigas menores”. Jandira também disse atuar como vice-líder do governo Lula e destacou sua trajetória de defesa da cultura.
Jandira afirmou ainda que trabalhou por mais de um ano na elaboração de um projeto de lei sobre regulação do vídeo sob demanda (VOD) no Brasil. Segundo ela, mais de 100 entidades do audiovisual defenderam sua permanência como relatora da proposta, função da qual foi retirada em setembro.
Paulo Alcoforado e Manoel Rangel não se manifestaram até a publicação da coluna. Paula Lavigne também não respondeu às tentativas de contato posteriores à divulgação do áudio.
As declarações ocorreram após a circulação de um vídeo em que Wagner Moura critica as propostas em discussão para a regulação do streaming, classificando-as como negativas para o setor audiovisual e para o país. O vídeo gerou reação no governo federal.
Após o episódio, entidades do audiovisual divulgaram carta em apoio ao ator, assinada por cineastas e produtores, na qual criticam a condução política da proposta no Congresso Nacional e o resultado final aprovado na Câmara dos Deputados.