
O democrata Zohran Mamdani toma posse nesta quinta (1) como prefeito de Nova York, em um início de mandato marcado pela tensão política com o presidente Donald Trump. A cerimônia ocorrerá em um espaço simbólico: a antiga Old City Hall, estação histórica de metrô desativada em Manhattan.
Segundo o gabinete do novo prefeito, a escolha do local dialoga com o discurso voltado à classe trabalhadora, eixo central da campanha. Aos 34 anos, Mamdani prometeu enfrentar o alto custo de vida na cidade, com propostas como congelamento de aluguéis, gratuidade em creches e ônibus públicos, medidas que ainda despertam dúvidas sobre viabilidade política e financeira.
O comportamento de Trump será um fator relevante para o novo governo municipal. Embora o presidente tenha atacado Mamdani durante a campanha, os dois tiveram um encontro cordial na Casa Branca em novembro.
Um dos principais pontos de atrito tende a ser a política migratória federal. Mamdani, de origem indiana e primeiro prefeito muçulmano da cidade, afirmou que protegerá comunidades imigrantes. Antes da eleição de 4 de novembro, Trump chegou a ameaçar cortar recursos federais para Nova York, chamando o então candidato de “comunista lunático”. Após a vitória, o democrata declarou acreditar que o mandatário é fascista.

O mandato de quatro anos começa oficialmente após o juramento diante da procuradora-geral do estado, Letitia James, que condenou Trump por fraude em 2024. Nesta quinta, uma segunda cerimônia ocorrerá na Prefeitura, conduzida pelo senador Bernie Sanders e pela deputada Alexandria Ocasio-Cortez, com cerca de 4.000 convidados e áreas públicas de acompanhamento.
Após a posse, Mamdani deixará o apartamento alugado no Queens para morar na residência oficial do prefeito em Manhattan, citando razões de segurança. Nascido em Uganda e criado em Nova York desde os sete anos, ele teve formação de elite e uma trajetória política curta, passando pela Assembleia estadual antes de chegar à prefeitura.
Para compensar a falta de experiência executiva, o novo prefeito reuniu assessores de gestões anteriores e do governo de Joe Biden, além de abrir diálogo com empresários. Defensor da causa palestina e crítico de Israel, Mamdani também enfrenta o desafio de tranquilizar a comunidade judaica, após um episódio recente envolvendo publicações antissemitas de uma ex-colaboradora.