“Desgraça e morte para todos”: Servidor é preso por ameaça com símbolo nazista

Atualizado em 1 de janeiro de 2026 às 23:41
O servidor público Phetronio Paulo de Medeiros no centro de montagem, sorrindo
O servidor público Phetronio Paulo de Medeiros – Reprodução/Redes Sociais

A Polícia Civil do Paraná prendeu preventivamente o servidor público Phetronio Paulo de Medeiros, que atua como técnico em contabilidade no Instituto Federal do Paraná (IFPR), campus de Irati. A prisão ocorreu na véspera do Réveillon, no Centro de Curitiba, onde ele havia alugado um apartamento para passar a virada do ano. Com informações do g1.

Segundo a investigação, ele é suspeito de apologia ao nazismo, veiculação de símbolos nazistas e ameaças de atentado por meio de diversas redes sociais. A operação contou com o apoio do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre).

De acordo com o delegado Rafael Rybandt, responsável pelo inquérito, o investigado utilizava vários perfis nas redes para publicar a suástica associada a saudações ao regime nazista, além de mensagens com conteúdo de ameaça.

Entre as frases identificadas pelos investigadores está a expressão “vem muita desgraça e morte para todos”. Segundo o delegado, houve pedido de prisão preventiva após a constatação de que, em anos anteriores, as publicações se intensificavam próximas ao Natal e ao Réveillon.

A autoridade policial afirmou que períodos de grande circulação de pessoas motivaram a solicitação de medidas cautelares. O delegado também destacou que o fato de o investigado ser servidor público vinculado a uma instituição federal de ensino levou a polícia a agir com maior rapidez.

A Polícia Civil informou ainda que denúncias relacionadas a crimes de ódio e intolerância podem ser registradas de forma anônima pelos telefones 197 e 181. A defesa do servidor declarou que ainda não teve acesso aos autos e que se manifestará após a análise do processo.

Imagem cedida pela Polícia Civil de post sobre nazismo
Post com símbolo nazista no Instagram – Reprodução

O IFPR divulgou nota oficial informando que o servidor será afastado imediatamente das suas funções e que um processo administrativo disciplinar será instaurado para apurar o caso. A instituição afirmou repudiar práticas ligadas a apologia ao nazismo, xenofobia, misoginia, homofobia, racismo e outras formas de discriminação.

O reitor Adriano Willian da Silva Viana Pereira declarou que atitudes criminosas cometidas por membros da comunidade acadêmica são passíveis de apuração imediata, assegurando o direito ao contraditório e à ampla defesa, conforme previsto na Constituição.

O caso atual não é o primeiro envolvendo Phetronio Paulo de Medeiros. Em 2024, ele foi condenado pela Justiça Federal do Rio Grande do Sul por apologia ao nazismo. Sentença acessada pela imprensa aponta que, ao menos desde 2018, ele realizava postagens nas redes sociais utilizando a suástica para divulgar o nazismo.

Ele recebeu pena de dois anos de reclusão em regime inicial aberto e multa, posteriormente substituída por prestação de serviços à comunidade e aumento do valor da multa. A condenação transitou em julgado em dezembro de 2025.

Phetronio tem 40 anos e é natural do Rio Grande do Norte. De acordo com seu perfil institucional, é graduado em Ciências Contábeis e já atuou como professor na Universidade Federal da Paraíba, além de técnico em contabilidade na mesma instituição.

Em 2019, mudou-se para o Rio Grande do Sul, onde trabalhou na Universidade Federal de Pelotas. Em 2024, assumiu o cargo de técnico em contabilidade no IFPR em Irati, no centro do Paraná, onde permanece lotado administrativamente, agora afastado por decisão institucional.

Jessica Alexandrino
Jessica Alexandrino é jornalista e trabalha no DCM desde 2022. Sempre gostou muito de escrever e decidiu que profissão queria seguir antes mesmo de ingressar no Ensino Médio. Tem passagens por outros portais de notícias e emissoras de TV, mas nas horas vagas gosta de viajar, assistir novelas e jogar tênis.