
A prisão preventiva do ex-assessor presidencial Filipe Martins, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, provocou reação imediata de sua defesa, que classificou a medida como ilegal, desproporcional e motivada por perseguição política. Em declaração divulgada nas redes sociais poucas horas após a detenção, o advogado Jeffrey Chiquini afirmou que a decisão antecipa, na prática, o cumprimento da pena de 21 anos de prisão fixada contra Martins no julgamento da trama golpista, apesar de os recursos ainda não terem sido analisados.
Em vídeo publicado logo após a prisão, Chiquini negou que seu cliente tenha acessado qualquer rede social e afirmou que a decisão representa uma retaliação pessoal.
O advogado declarou que o STF “coloca em prática aquilo que queria desde 2019” e classificou Filipe Martins como “oficialmente um preso político, mais um perseguido por esse regime autoritário que se instalou no Brasil”. Em outro trecho, Chiquini atacou diretamente o ministro relator ao dizer que Moraes “decide como ele quer, da forma como ele quer e a hora que ele quer”.
O defensor também afirmou que a prisão não está ligada a um ato concreto recente. “Essa prisão não foi por algo que ele fez, mas sim por quem ele é. Ele foi preso por ser Filipe Martins”, disse. Segundo Chiquini, a defesa ainda irá se reunir para definir a estratégia jurídica, avaliando se apresentará novo recurso ao próprio Moraes ou se buscará outras medidas cabíveis no âmbito do Judiciário.
Filipe Martins acaba de ser preso preventivamente sem motivo algum. Filipe foi preso pelo que é e pelo que representa, e não pelo que fez.
É, oficialmente, um preso político. pic.twitter.com/7FWHDwtacV— Jeffrey Chiquini (@JeffreyChiquini) January 2, 2026
Martins foi preso na manhã desta sexta-feira (2) em sua residência, em Ponta Grossa, no Paraná, por agentes da Polícia Federal. Ele estava em prisão domiciliar desde o último sábado (27), por determinação do próprio Supremo Tribunal Federal, quando passou a cumprir uma série de medidas cautelares, entre elas a proibição expressa de acessar redes sociais. A nova ordem de prisão foi expedida após Moraes concluir que houve descumprimento dessa restrição.
Segundo a decisão, o bolsonarista teria realizado uma pesquisa de perfis na plataforma LinkedIn, o que, para o ministro, configura violação direta da cautelar imposta. Com base nisso, Moraes decidiu substituir a prisão domiciliar pela custódia preventiva, fundamentando a medida no artigo 312, §1º, do Código de Processo Penal, que permite a prisão quando há descumprimento de medidas alternativas.
O ex-assessor de Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal em 16 de dezembro de 2025, sob a acusação de participação na tentativa de golpe de Estado, especialmente por suposta colaboração na elaboração da chamada minuta do golpe. A pena fixada foi de 21 anos de reclusão, além da imposição de medidas cautelares rigorosas. A defesa nega as acusações e sustenta que não há provas materiais que justifiquem a condenação.
Antes da decretação da prisão preventiva, Moraes havia determinado, na segunda-feira (29), que a defesa se manifestasse em até 24 horas sobre a suspeita de violação das cautelares. No despacho, o ministro registrou que um relato anexado aos autos indicava possível uso do LinkedIn para buscas de terceiros. Considerando insuficientes as explicações apresentadas, o relator optou pela medida mais grave.