VÍDEO: Advogado de Filipe Martins ataca Moraes após prisão do ex-assessor

Atualizado em 2 de janeiro de 2026 às 11:16
Jeffrey Chiquini, advogado de Filipe Martins. Foto: reprodução

A prisão preventiva do ex-assessor presidencial Filipe Martins, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, provocou reação imediata de sua defesa, que classificou a medida como ilegal, desproporcional e motivada por perseguição política. Em declaração divulgada nas redes sociais poucas horas após a detenção, o advogado Jeffrey Chiquini afirmou que a decisão antecipa, na prática, o cumprimento da pena de 21 anos de prisão fixada contra Martins no julgamento da trama golpista, apesar de os recursos ainda não terem sido analisados.

Em vídeo publicado logo após a prisão, Chiquini negou que seu cliente tenha acessado qualquer rede social e afirmou que a decisão representa uma retaliação pessoal.

O advogado declarou que o STF “coloca em prática aquilo que queria desde 2019” e classificou Filipe Martins como “oficialmente um preso político, mais um perseguido por esse regime autoritário que se instalou no Brasil”. Em outro trecho, Chiquini atacou diretamente o ministro relator ao dizer que Moraes “decide como ele quer, da forma como ele quer e a hora que ele quer”.

O defensor também afirmou que a prisão não está ligada a um ato concreto recente. “Essa prisão não foi por algo que ele fez, mas sim por quem ele é. Ele foi preso por ser Filipe Martins”, disse. Segundo Chiquini, a defesa ainda irá se reunir para definir a estratégia jurídica, avaliando se apresentará novo recurso ao próprio Moraes ou se buscará outras medidas cabíveis no âmbito do Judiciário.

Martins foi preso na manhã desta sexta-feira (2) em sua residência, em Ponta Grossa, no Paraná, por agentes da Polícia Federal. Ele estava em prisão domiciliar desde o último sábado (27), por determinação do próprio Supremo Tribunal Federal, quando passou a cumprir uma série de medidas cautelares, entre elas a proibição expressa de acessar redes sociais. A nova ordem de prisão foi expedida após Moraes concluir que houve descumprimento dessa restrição.

Segundo a decisão, o bolsonarista teria realizado uma pesquisa de perfis na plataforma LinkedIn, o que, para o ministro, configura violação direta da cautelar imposta. Com base nisso, Moraes decidiu substituir a prisão domiciliar pela custódia preventiva, fundamentando a medida no artigo 312, §1º, do Código de Processo Penal, que permite a prisão quando há descumprimento de medidas alternativas.

O ex-assessor de Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal em 16 de dezembro de 2025, sob a acusação de participação na tentativa de golpe de Estado, especialmente por suposta colaboração na elaboração da chamada minuta do golpe. A pena fixada foi de 21 anos de reclusão, além da imposição de medidas cautelares rigorosas. A defesa nega as acusações e sustenta que não há provas materiais que justifiquem a condenação.

Antes da decretação da prisão preventiva, Moraes havia determinado, na segunda-feira (29), que a defesa se manifestasse em até 24 horas sobre a suspeita de violação das cautelares. No despacho, o ministro registrou que um relato anexado aos autos indicava possível uso do LinkedIn para buscas de terceiros. Considerando insuficientes as explicações apresentadas, o relator optou pela medida mais grave.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.