Folha trata Filipe Martins com delicadeza. Por Moisés Mendes

Atualizado em 2 de janeiro de 2026 às 14:14
Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro. Foto: Agência Senado

Essa é a Folha sempre cuidadosa, dessa vez com uma figura já condenado por atitude nazista. Está na chamada de capa:

“Moraes manda Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, para prisão por suposta violação”

Para a Folha, a violação, por ter burlado medida que proíbe uso de redes sociais, é suposta.

Ora, o ministro está dizendo que ele burlou a lei e por isso determinou a prisão.

O Globo explica, na chamada de capa, o que a Folha finge não saber. Que Martins alega ter cedido as senhas das suas redes a advogados da defesa.

“PF prende Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro condenado na trama golpista. Decisão de Moraes ocorre após defesa admitir ter acessado redes sociais do seu cliente”.

Jair Bolsonaro e Filipe Martins. Foto: Reprodução

Seriam os advogados, e não ele, que estariam acessando as redes sociais. É um truque de fazer rir ajudante de traficante.

O cara cede as senhas, os advogados se dedicam, dizem eles, a apenas pesquisar dados para fazer a defesa, e tudo fica numa boa.

Mesmo se sabendo que Filipe Martins já foi condenado a 21 anos de cadeia como golpista, e que os recursos agora são apenas os protelatórios. Os advogados estariam pesquisando o quê?

Esta é a manchete do Estadão:

“PF prende Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, após violação de cautelares durante a domiciliar”

O jornalista Aquiles Lins conta, no Brasil 247, detalhes do que a Folha não sabe e por isso acha que Martins pode ser inocente.

Todas as decisões de Alexandre de Moraes, incluindo as que envolvem ativistas nazistas, passarão a ser questionadas pelos jornalões. E assim será durante todo o ano de 2026.

Moisés Mendes
Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/