
O casal de turistas de Mato Grosso agredido após uma confusão com comerciantes na praia de Porto de Galinhas, no litoral de Pernambuco, encerrou o ano em Balneário Camboriú, cidade frequentemente associada a manifestações públicas de apoio ao bolsonarismo.
Johnny Andrade e Cleiton Zanatta haviam planejado passar o réveillon no Nordeste, mas mudaram o destino após o episódio registrado no dia 27 de dezembro.
Johnny foi o mais agredido durante a confusão. Após a repercussão do caso, o casal foi convidado pelo Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Balneário Camboriú e Região (Sindisol) e pela Associação de Bares e Restaurantes de Balneário Camboriú (Abres) para passar as férias na cidade catarinense, com hospedagem custeada por entidades locais do setor turístico.
A ida a Balneário Camboriú passou a ser divulgada em redes sociais e em entrevistas como contraponto simbólico a Porto de Galinhas. O casal passou a associar a cidade catarinense a um ambiente de acolhimento e segurança, discurso que circula com frequência em grupos alinhados ao bolsonarismo, especialmente após casos de violência em outras regiões do país.
É impossível não se solidarizar com a violência que esse casal sofreu. Nenhuma agressão é aceitável, em lugar nenhum. Isso precisa ser dito com clareza.
Mas usar um episódio traumático para inflamar discurso xenofóbico, estigmatizar regiões do país ou vender a narrativa… pic.twitter.com/jdVuqgMZAj
— Beta Bastos (@roberta_bastoss) January 2, 2026
Em declaração pública, Johnny afirmou: “Já viemos para a cidade outras vezes e amamos de paixão. Voltamos a convite do Sindisol e Abres e vir para cá, depois de tudo o que aconteceu, foi um presente. A gente sempre foi muito feliz aqui em Balneário. A gente esperava que Porto de Galinhas também tratasse a gente com o mesmo carinho e respeito que aqui”.
A narrativa adotada pelo casal passou a incluir comparações políticas entre regiões. Segundo relatos, eles atribuíram aos moradores de Porto de Galinhas o estereótipo de “petistas”, citando as vitórias do PT em eleições presidenciais.
A generalização foi difundida junto ao caso da agressão, ampliando o debate para o campo ideológico. Cleiton Zanatta é seguidor declarado do ex-presidente Jair Bolsonaro e de Michelle Bolsonaro.