Caixa bloqueia R$ 35 milhões da premiação do Corinthians na Copa do Brasil

Atualizado em 2 de janeiro de 2026 às 20:17
Jogadores do Corinthians durante premiação do título da Copa do Brasil. Foto: Pedro Kirilos/Estadão

A Caixa Econômica Federal bloqueou cerca de R$ 35 milhões da premiação do Corinthians pelo título da Copa do Brasil. O montante corresponde a aproximadamente metade do valor líquido que seria repassado pela CBF ao clube após a conquista. A retenção ocorreu com base em contratos firmados entre as partes.

A diretoria corintiana abriu diálogo com o presidente da Caixa, Carlos Antônio Vieira Fernandes, para tratar da liberação da quantia. O presidente Osmar Stábile participa diretamente das conversas e considera o dinheiro essencial para o fluxo financeiro do clube neste início de temporada.

O clube sustenta que o banco utilizou uma receita vinculada ao exercício seguinte para cobrir juros com vencimento posterior. A instituição financeira, por sua vez, afirma que o procedimento segue dispositivos contratuais de cessão fiduciária, que autorizam o uso de recebíveis como garantia de operações.

A dívida relacionada à construção da Neo Química Arena, superior a R$ 600 milhões, está no centro do impasse. Em renegociações anteriores, diferentes fontes de arrecadação foram oferecidas como garantia, incluindo bilheteria, receitas do estádio e outros créditos.

Neo Química Arena, estádio do Corinthians. Foto: Divulgação

A premiação da Copa do Brasil também integra esse conjunto de recebíveis passíveis de retenção. Com o bloqueio, o clube deixou de acessar valores previstos para quitação de compromissos imediatos e para cumprimento de obrigações assumidas com o elenco profissional.

Parte do dinheiro seria utilizada no pagamento de bônus a jogadores e funcionários pela conquista do torneio, enquanto outra parcela seria direcionada à redução de débitos e à tentativa de resolver o transfer ban imposto pela Fifa em razão de pendências com clubes do exterior.

Leia abaixo a nota do Duílio Monteiro Alves, ex-presidente do Corinthians, na íntegra:

Durante a minha gestão, celebramos um acordo muito saudável entre o Corinthians e a Caixa Econômica, que reduziu de R$ 3 bilhões para R$ 700 milhões uma contingência que o clube tinha a respeito da Neo Química Arena.

No nosso último ano de gestão, quitamos R$ 80 milhões referentes a esse acordo. Esse pagamento deveria continuar sendo priorizado nos anos seguintes à minha saída. Se alguma receita listada como garantia foi bloqueada, isso lamentavelmente significa que alguma parcela vencida está em aberto.

Sobre nossa gestão, cabe apenas mencionar que reduzi a dívida com a Caixa – que não foi contraída por mim – e que pagamos a primeira parcela, mostrando, em 2023, que o acordo era factível. Fizemos uma transição pacífica ao fim de 2023 com o presidente então eleito e tudo isso foi explicado.

A Neo Química Arena é um dos maiores orgulhos da Fiel e sempre será. Por isso, é preciso fiscalizar e combater a tática mesquinha de demonizar e descumprir os acordos que viabilizaram a quitação do nosso estádio, especialmente quando ela é empregada para justificar as irresponsabilidades administrativas que se seguiram, rasgando acordos como se não fossem positivos, além de piorar sensivelmente a saúde financeira de um clube que, de 2021 a 2023, apresentou três superávits.