VÍDEO: Filha de ministro da ditadura, Maria Beltrão ri de Maduro ao vivo na Globo

Atualizado em 3 de janeiro de 2026 às 11:37
Maria Beltrão no “É de Casa”. Foto: reprodução

A jornalista Maria Beltrão, uma das principais apresentadoras da TV Globo, passou a ser alvo de fortes críticas nas redes sociais após rir e fazer uma piada ao comentar, ao vivo, os ataques estadunidenses contra a Venezuela na madrugada deste sábado (3). A reação negativa ocorreu durante a edição do programa “É de Casa”, quando a emissora interrompeu o conteúdo leve do sábado para tratar da ofensiva militar anunciada pelo governo dos Estados Unidos e da suposta captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Diante da gravidade da situação internacional, a Globo chamou o jornalista Alan Severiano, âncora do “Jornal Hoje”, para atualizar os telespectadores. Antes da entrada do colega, porém, Maria Beltrão tentou adotar um tom descontraído e acabou gerando indignação. “Sábado superquente. Alan, eu posso dizer que teve chefe de Estado que não dormiu nessa madrugada, né?”, afirmou a apresentadora, rindo, ao se referir ao sequestro de Maduro anunciado horas antes.

O comentário foi interpretado por muitos como desrespeitoso diante de um episódio que envolveu ataques militares, explosões e incertezas sobre o paradeiro de um chefe de Estado.

A repercussão foi imediata nas redes sociais. Usuários acusaram a jornalista de banalizar um conflito internacional e de tratar com ironia um cenário marcado por violência, instabilidade política e risco à população civil venezuelana.

Além das críticas diretas à postura no ar, internautas passaram a relembrar o histórico familiar de Maria Beltrão. Ela é filha do economista Hélio Beltrão, ministro do Planejamento durante a ditadura militar, nos governos de Costa e Silva e da junta militar de 1969, além de ter atuado no governo João Figueiredo.

Hélio Beltrão foi um dos signatários do Ato Institucional nº 5, o AI-5, marco do período mais repressivo do regime militar, responsável por aprofundar a censura, suspender direitos políticos e abrir caminho para prisões, torturas e mortes de opositores. Entre os episódios associados a esse período está o assassinato do ex-deputado Rubens Paiva, cuja história é retratada no filme dirigido por Walter Salles. Para críticos, o comentário de Beltrão acabou sendo associado simbolicamente a esse passado autoritário.

O economista Hélio Beltrão – Reprodução

Sequestro de Maduro

O caso ocorre em meio a um cenário internacional extremamente tenso. A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que o governo não tem informações sobre o paradeiro de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, após os ataques registrados em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Em contato com a emissora estatal venezuelana, ela exigiu “uma prova de vida” do presidente e convocou a população para uma “fusão cívico-militar” para “defender o país”.

Pouco antes, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia anunciado em sua rede social Truth Social que forças estadunidenses realizaram uma operação de grande escala e retiraram Maduro do território venezuelano. Segundo a CBS News, a ação teria sido liderada pela Delta Force, uma tropa de elite especializada em operações contra alvos de alto valor.

Em Caracas, a Base Aérea Generalíssimo Francisco de Miranda, conhecida como La Carlota, amanheceu com incêndios, destroços e danos estruturais. Relatos apontam explosões também nas proximidades do Fuerte Tiuna, o maior complexo militar do país, além de interrupções no fornecimento de energia elétrica em várias áreas da capital.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.