Extrema-direita usa imagem de IA para comemorar sequestro de Nicolás Maduro

Atualizado em 3 de janeiro de 2026 às 12:50
Suposta imagem de Maduro capturado pelos EUA. Foto: reprodução

Imagens que mostram a suposta captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por forças dos Estados Unidos passaram a circular nas redes sociais ao longo deste sábado (3), principalmente por usuários que estão comemorando a ação comandada por Donald Trump. A principal foto divulgada mostra Maduro escoltado por agentes armados, incluindo um integrante identificado como da DEA (Administração de Repressão às Drogas dos EUA), ao lado de uma aeronave militar.

No entanto, não há qualquer confirmação oficial de que a imagem seja autêntica, e diversos indícios apontam que se trata de uma foto falsa, possivelmente criada ou manipulada por inteligência artificial.

Até o momento, apesar de declarações atribuídas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que Maduro e sua esposa, Cilia Flores, teriam sido capturados, nenhuma autoridade estadunidense divulgou imagens oficiais, vídeos ou comunicados detalhando a operação.

Entre os políticos de extrema-direita que usaram a imagem para celebrar a ação estadunidense estão o deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil-SP) e o parlamentar cassado Eduardo Bolsonaro (PL). “Governo dos Estados Unidos divulga foto de Nicolás Maduro sendo preso”, escreveu Kataguiri no X, mentindo tanto sobre a veracidade da foto quanto da divulgação dos EUA, o que não houve.

Tampouco foi informado o local onde Maduro estaria detido. A ausência de registros formais e de cobertura por agências internacionais de notícias levanta dúvidas sobre a veracidade das informações que circulam nas redes.

A falsidade da imagem é sustentada por uma série de sinais técnicos e contextuais. Além dos rostos dos supostos agentes aparecem borrados de maneira artificial, diferente do desfoque comum em fotos jornalísticas, consultas em diferentes ferramentas de inteligência artificial chegaram à mesma conclusão: a foto foi criada digitalmente.

Além disso, o patch da DEA surge excessivamente nítido em comparação ao restante da cena, que apresenta granulação irregular e iluminação incoerente. Outro ponto é a completa falta de crédito a agências como AP, Reuters ou AFP, algo incomum em imagens reais de operações internacionais dessa magnitude.

Outro ponto de atenção é a distorção da imagem, como se fosse tirada uma “foto da foto”, afim de camuflar as irregularidades causadas pelas limitações das ferramentas. Também é notável que, enquanto os protagonistas da foto estão em diagonal, a suposta marca d’água com a data está corretamente alinhada ao quadro.

Os ataques

Os Estados Unidos atacaram a Venezuela na manhã deste sábado (3) sob a alegação de que Maduro seria um dos maiores narcotraficantes do mundo.

O presidente venezuelano já havia se defendido anteriormente em carta enviada a Trump, na qual negou qualquer envolvimento com cartéis de drogas e afirmou que as acusações serviriam como pretexto para uma invasão de seu país. Mesmo assim, não houve anúncio formal de prisão nem apresentação de provas concretas por parte de Washington.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.