
A fronteira do Brasil com a Venezuela foi fechada na manhã deste sábado (3) após os Estados Unidos anunciarem um ataque em larga escala contra o território venezuelano e afirmarem ter capturado o presidente Nicolás Maduro. O bloqueio ocorreu em Pacaraima, no norte de Roraima, principal ponto de ligação terrestre entre os dois países, e foi confirmado por autoridades brasileiras ao longo da manhã.
De acordo com a Polícia Federal, houve alteração significativa no movimento na região logo após os anúncios feitos por Washington. “A PF observou redução no fluxo migratório e informou que a Venezuela fechou sua fronteira hoje”, disse o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, à Globo.
Imagens divulgadas pela Polícia Militar local por volta das 8h mostram viaturas e militares do Exército Brasileiro posicionados nas proximidades do marco que separa os dois países, enquanto cones e barreiras impediam a passagem de veículos e pedestres.
O fechamento da fronteira ocorreu poucas horas depois de o presidente Donald Trump afirmar que forças estadunidenses realizaram uma operação militar de grande escala na Venezuela e retiraram Maduro do país por via aérea, junto com a esposa.
🇻🇪 📢 🚨#URGENTE Un grupo que acampaba en el Ávila, grabó las explosiones en Caracas durante la madrugada de este #3Ene pic.twitter.com/E63efsPNqm
— Cristian Crespo F. 🇨🇺 (@cristiancrespoj) January 3, 2026
O mandatário não informou para onde o presidente venezuelano teria sido levado, nem apresentou imagens oficiais da suposta captura. Procurados, o Exército em Roraima e o Comando Militar da Amazônia não se pronunciaram sobre o posicionamento das tropas até a última atualização desta reportagem.
Roraima é, historicamente, a principal porta de entrada de migrantes venezuelanos no Brasil. Desde 2015, o estado recebe grande parte das pessoas que fogem da crise política, econômica e social no país governado por Maduro, movimento que transformou Pacaraima em um dos principais corredores humanitários da região.
Além do fluxo migratório, a fronteira é estratégica para o turismo e para o transporte terrestre de mercadorias exportadas ao país vizinho.
Em nota oficial, o governo de Roraima informou que “acompanha com atenção os acontecimentos recentes na Venezuela e eventuais repercussões na estabilidade regional”. O texto afirma ainda que as autoridades estaduais permanecem em contato permanente com órgãos da União para monitorar possíveis desdobramentos que possam afetar a rotina da população.
Segundo o comunicado, “em razão da localização geográfica, Roraima mantém historicamente relações de cooperação com os países vizinhos”, acrescentando que os órgãos de segurança pública seguem “preparados e articulados, mantendo rotinas normais de atuação, com foco na garantia da paz, da proteção e da continuidade dos serviços essenciais à população roraimense”.