Roraima fecha fronteira com a Venezuela após ataques dos EUA

Atualizado em 3 de janeiro de 2026 às 13:00
Fronteira entre Brasil e Roraima. Foto: reprodução

A fronteira do Brasil com a Venezuela foi fechada na manhã deste sábado (3) após os Estados Unidos anunciarem um ataque em larga escala contra o território venezuelano e afirmarem ter capturado o presidente Nicolás Maduro. O bloqueio ocorreu em Pacaraima, no norte de Roraima, principal ponto de ligação terrestre entre os dois países, e foi confirmado por autoridades brasileiras ao longo da manhã.

De acordo com a Polícia Federal, houve alteração significativa no movimento na região logo após os anúncios feitos por Washington. “A PF observou redução no fluxo migratório e informou que a Venezuela fechou sua fronteira hoje”, disse o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, à Globo.

Imagens divulgadas pela Polícia Militar local por volta das 8h mostram viaturas e militares do Exército Brasileiro posicionados nas proximidades do marco que separa os dois países, enquanto cones e barreiras impediam a passagem de veículos e pedestres.

O fechamento da fronteira ocorreu poucas horas depois de o presidente Donald Trump afirmar que forças estadunidenses realizaram uma operação militar de grande escala na Venezuela e retiraram Maduro do país por via aérea, junto com a esposa.

O mandatário não informou para onde o presidente venezuelano teria sido levado, nem apresentou imagens oficiais da suposta captura. Procurados, o Exército em Roraima e o Comando Militar da Amazônia não se pronunciaram sobre o posicionamento das tropas até a última atualização desta reportagem.

Roraima é, historicamente, a principal porta de entrada de migrantes venezuelanos no Brasil. Desde 2015, o estado recebe grande parte das pessoas que fogem da crise política, econômica e social no país governado por Maduro, movimento que transformou Pacaraima em um dos principais corredores humanitários da região.

Além do fluxo migratório, a fronteira é estratégica para o turismo e para o transporte terrestre de mercadorias exportadas ao país vizinho.

Em nota oficial, o governo de Roraima informou que “acompanha com atenção os acontecimentos recentes na Venezuela e eventuais repercussões na estabilidade regional”. O texto afirma ainda que as autoridades estaduais permanecem em contato permanente com órgãos da União para monitorar possíveis desdobramentos que possam afetar a rotina da população.

Segundo o comunicado, “em razão da localização geográfica, Roraima mantém historicamente relações de cooperação com os países vizinhos”, acrescentando que os órgãos de segurança pública seguem “preparados e articulados, mantendo rotinas normais de atuação, com foco na garantia da paz, da proteção e da continuidade dos serviços essenciais à população roraimense”.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.