
Os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) usaram as redes sociais neste sábado (3) para comemorar a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, atacar o presidente Lula e reforçar discursos de defesa da extrema-direta e do pai. As manifestações ocorreram após o governo estadunidense anunciar uma ofensiva em larga escala contra o território venezuelano e divulgar a suposta captura do presidente Nicolás Maduro, episódio que elevou a tensão política na região e repercutiu imediatamente no debate político brasileiro.
O ex-vereador Carlos Bolsonaro, que se articula para disputar uma vaga no Senado por Santa Catarina nas eleições de outubro, utilizou o episódio para falar em “perseguição ideológica” e traçar paralelos entre a queda de Maduro e a trajetória de Bolsonaro no Brasil.
“Esse modelo não se limita à Venezuela: ele se espalha por rotas que cruzam a Colômbia, a América Central, o Caribe e alcançam o Brasil, sempre protegido por discursos políticos que tentam deslegitimar qualquer questionamento rotulando-o como “perseguição ideológica”, escreveu Carluxo.
Na sequência, ele ampliou o argumento ao relacionar o discurso ao atentado sofrido pelo pai durante a campanha presidencial de 2018. “Nesse contexto, o atentado e a perseguição contra Jair Bolsonaro em 2018 —e os fatos que se seguiram— não podem ser tratados como episódios isolados ou meramente individuais”, finalizou.
A América Latina vive há décadas sob a influência de uma rede de poder que ultrapassa fronteiras nacionais e combina ideologia, crime organizado e projetos de perpetuação no poder. No centro dessa engrenagem estão regimes autoritários, movimentos políticos articulados…
— Carlos Bolsonaro (@CarlosBolsonaro) January 3, 2026
Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adotou um tom ainda mais agressivo contra o atual governo brasileiro. Além de criticar Lula, ele voltou a levantar suspeitas sobre o sistema eleitoral, retomando a retórica de “eleições fraudadas”, recorrente entre aliados do bolsonarismo desde a derrota nas urnas em 2022.
“Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”, escreveu o pré-candidato à Presidência.
O ataque também foi interpretado como mais uma investida indireta contra o Tribunal Superior Eleitoral, instituição que se tornou alvo constante de críticas de bolsonaristas após o resultado das últimas eleições presidenciais.
Lula será delatado.
É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas… pic.twitter.com/dhMX4UCgR2
— Flavio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) January 3, 2026
O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, que atualmente vive nos Estados Unidos, também se manifestou celebrando a ofensiva estadunidense contra o governo venezuelano. Em tom triunfalista, Eduardo afirmou que o “regime venezuelano é o pilar financeiro, logístico e simbólico do Foro de São Paulo”.
Na mesma mensagem, ele projetou consequências para líderes de esquerda na América Latina: “Com a captura de Maduro vivo, agora Lula, Petro e os demais do Foro de São Paulo terão dias terríveis, anotem. Viva a liberdade”. A referência inclui o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, frequentemente citado por bolsonaristas como integrante do bloco político regional.
O pacifismo cínico é sempre a fantasia dos que praticam o terror, escravizando o seu povo em nome da soberania ou pretensa estabilidade.
Os assassinatos, a perseguição política, o abrigo seguro para FARC, Hezbollah, ELN e toda a escória do narcoterrorismo mundial parecem não… https://t.co/yq4AP7J6Fi
— Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP) January 3, 2026