Aposta contra Maduro fatura mais de US$ 400 mil horas antes de ataque dos EUA à Venezuela

Atualizado em 4 de janeiro de 2026 às 14:13
Agentes federais escoltam Nicolás Maduro na sede da agência antidrogas dos Estados Unidos. Foto: Reprodução

Pouco antes do início do ataque militar dos Estados Unidos a Caracas e do sequestro do presidente Nicolás Maduro, mercados de previsão registraram um movimento atípico de apostas sobre a queda do líder venezuelano. Horas antes do anúncio oficial da operação, plataformas especializadas passaram a indicar aumento expressivo na probabilidade dele deixar o poder ainda em janeiro.

Um dos casos que mais chamaram atenção ocorreu na plataforma Polymarket. Segundo o portal Axios, uma conta criada pouco antes da ofensiva investiu US$ 30 mil apostando na queda de Maduro. No dia seguinte à captura, o usuário retirou US$ 436,7 mil, levantando suspeitas sobre possível uso de informação privilegiada.

Até o fim da sexta-feira, não havia sinal público de que um ataque estivesse em curso. O primeiro indicativo concreto surgiu por volta da meia-noite, no horário da Costa Leste dos EUA, quando aeronaves civis foram orientadas a evitar o espaço aéreo da Venezuela. Poucas horas depois, o presidente Donald Trump confirmou a operação.

Desde as eleições americanas do ano passado, mercados de previsão ganharam relevância nos meios político e econômico. Plataformas como Polymarket e Kalshi permitem apostas sobre eventos globais, como conflitos armados ou mudanças de governo, com retorno financeiro atrelado ao resultado.

Embora essas empresas se apresentem como espaços de análise coletiva, críticos apontam semelhanças com casas de apostas. No Brasil, esse tipo de atividade não é regulamentado, mas também não é proibido, segundo especialistas do setor jurídico e financeiro.

Diferentemente do mercado financeiro tradicional, não há hoje restrições claras que impeçam agentes públicos de apostar em eventos sobre os quais tenham influência direta ou acesso a informações sensíveis. Um deputado democrata anunciou que pretende apresentar um projeto de lei para proibir a participação de funcionários públicos nesse tipo de plataforma.

A captura de Maduro também trouxe à tona outra prática ligada à operação. De acordo com o portal investigativo Semafor, os jornais ‘New York Times’ e ‘Washington Post’ foram informados com antecedência sobre o ataque, mas optaram por não publicar a informação para preservar a segurança das tropas envolvidas.

Fontes ouvidas pelo Semafor afirmaram que os detalhes foram repassados horas antes da decolagem dos aviões, com o pedido explícito para que não fossem divulgados de imediato. A prática segue precedentes históricos adotados pela imprensa americana em operações militares sensíveis.

A ofensiva dos EUA não deixou militares americanos mortos, mas autoridades locais afirmam que ao menos 40 pessoas morreram em Caracas. Entre as vítimas está uma mulher de 80 anos, atingida após um míssil destruir sua casa na madrugada de sábado.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 27 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.