MEC não anuncia aumento em piso dos professores e gera impasse para 2026

Atualizado em 4 de janeiro de 2026 às 14:28
Professora escrevendo no quadro, em sala de aula. Foto: Reprodução/FDR

A indefinição sobre o reajuste do piso salarial nacional dos professores para 2026 ocorre em todo o Brasil e se concentra no Ministério da Educação (MEC), neste início de janeiro. A ausência do anúncio oficial, que tradicionalmente acontece no fim de dezembro, tem mobilizado docentes, sindicatos e gestores públicos.

O tema envolve diretamente o MEC, professores da educação básica e governos estaduais e municipais. O que está em discussão é o percentual de reajuste do piso do magistério para 2026 que ainda não foi divulgado, e gera incerteza sobre salários e planejamento orçamentário.

Segundo o Ministério da Educação, a definição foi adiada para janeiro como parte de um processo de cautela técnica. A pasta aguarda dados consolidados da economia para estabelecer o índice final, em um contexto de inflação ainda relevante e crescimento econômico moderado.

Atualmente, o reajuste do piso ocorre sempre em janeiro e é calculado com base no valor anual mínimo por aluno dos anos iniciais do ensino fundamental urbano. Esse indicador está ligado ao Fundeb, principal instrumento de financiamento da educação básica no país, e faz com que os percentuais variem significativamente a cada ano.

Prédio do Ministério da Educação, em Brasília (DF). Foto: Ângelo Miguel/MEC

Criada em 2008, essa metodologia passou a ser questionada após a reformulação do Fundeb, em 2021. Estados e municípios alegam dificuldades para absorver reajustes elevados em determinados períodos, apontando impactos diretos nos orçamentos locais e na gestão administrativa.

Diante desse cenário, o MEC conduz negociações com representantes dos professores, além de gestores estaduais e municipais, para discutir uma possível atualização da legislação. O ministro da Educação, Camilo Santana, afirma que a intenção é garantir previsibilidade orçamentária e segurança jurídica, sem retirar direitos já assegurados à categoria.

As projeções iniciais indicam um reajuste em torno de 2,9% para 2026, percentual abaixo da inflação estimada, próxima de 3,5%. Essa diferença levanta preocupação entre os docentes por indicar possível perda do poder de compra, embora o governo tenha sinalizado a busca pela reposição inflacionária mínima.

Em 2025, o piso do magistério foi reajustado em 6,27% e chegou a R$ 4.867,77, índice superior à inflação do período. Apesar disso, dados do Inep mostram que professores da rede pública recebem, em média, 86% do salário de outros profissionais com nível superior, o que mantém o debate sobre valorização salarial enquanto estados e municípios aguardam a decisão final do MEC.

Lindiane Seno
Lindiane é advogada, redatora e produtora de lives no DCM TV.