
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou Delcy Rodríguez, presidente em exercício da Venezuela na ausência de Nicolás Maduro, afirmando que ela vai pagar um “preço muito alto” caso não coopere com Washington. A declaração foi dada por telefone à revista The Atlantic, um dia após sequestro do presidente titular por forças estadunidenses, no último sábado (3), durante uma operação em Caracas que resultou em cerca de 80 mortes.
Segundo Trump, o custo político e institucional para Rodríguez pode ser ainda maior do que o enfrentado por Maduro, que foi levado a um centro de detenção nos Estados Unidos. “Se ela não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que o de Maduro”, afirmou o republicano. A fala ocorre em meio às discussões sobre os próximos passos do governo estadunidense em relação à Venezuela, incluindo pressões diplomáticas, econômicas e judiciais.
Mais cedo, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que Washington está disposto a trabalhar com os líderes remanescentes do país, desde que tomem “a decisão correta”. “Vamos avaliar tudo pelo que eles fizerem, e vamos ver o que farão”, disse à emissora CBS News.

Rubio acrescentou que ainda é prematuro falar sobre eleições na Venezuela e indicou que os EUA mantêm instrumentos de pressão. “Sei de uma coisa: se eles não tomarem a decisão correta, os Estados Unidos manterão diversas ferramentas de pressão”, declarou, ressaltando que há “muito trabalho pela frente”.
As Forças Armadas da Venezuela reconheceram Delcy Rodríguez como presidente interina do país após o sequestro de Maduro. O anúncio foi feito pelo ministro da Defesa, Vladimir Padrino, em pronunciamento transmitido pela televisão estatal.
Segundo ele, a decisão segue determinação do Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela, que estabeleceu um mandato interino de 90 dias para a vice-presidente. De acordo com o tribunal, a medida busca “garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da Nação” diante da ausência do presidente.