Brasil deve pedir a palavra em reunião da ONU sobre ataque dos EUA à Venezuela nesta segunda

Atualizado em 5 de janeiro de 2026 às 7:52
Membros do Conselho de Segurança da ONU participam de reunião. Foto: REUTERS/Eduardo Munoz

O Brasil deve pedir a palavra na reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, marcada para esta segunda-feira (5), em Nova York, que discutirá o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

Embora não seja membro do Conselho, o governo brasileiro pretende se manifestar com base na regra 37 do regimento do órgão, que permite a participação de países não integrantes, conforme informações do Globo.

A reunião do Conselho de Segurança, formado por 15 países, está prevista para ocorrer por volta das 12h (horário de Brasília). O Brasil deverá ser representado pelo embaixador Sérgio Danese, que deve reforçar a posição adotada pelo presidente Lula (PT).

No sábado (3), o petista condenou publicamente a ofensiva norte-americana, afirmando que os bombardeios e a captura de Maduro representam uma “afronta gravíssima” e ultrapassam uma “linha inaceitável”, por violarem a soberania venezuelana e princípios do direito internacional.

Segundo o presidente, a ação cria um “precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional” e remete “aos piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe”. Lula também defendeu que a ONU responda de forma firme, reiterando o compromisso do Brasil com o multilateralismo, o diálogo e a solução pacífica de conflitos.

Discurso e expectativas do governo

De acordo com interlocutores do governo, a fala de Danese também deve enfatizar a defesa de uma resolução pacífica para a crise. O Brasil chegou a se colocar como possível mediador e pretende destacar a necessidade de cumprimento das normas internacionais e a importância do multilateralismo.

Integrantes do governo avaliam, no entanto, que não há expectativa de aprovação de qualquer resolução, já que uma iniciativa nesse sentido seria vetada pelos Estados Unidos. “Não vai ter nenhuma resolução do Conselho”, afirmou um interlocutor.

Os países que solicitarem participação poderão se pronunciar após as falas dos membros permanentes e não permanentes do Conselho de Segurança, seguindo o rito habitual dessas reuniões.

Nota conjunta e reação internacional

A reunião ocorre em meio à escalada da crise diplomática provocada pela ação militar americana em território venezuelano e pela detenção de Maduro, levado aos Estados Unidos para responder a acusações de narcotráfico e outros crimes, segundo autoridades norte-americanas.

Neste domingo, os governos de Brasil, Chile, Colômbia, México, Uruguai e Espanha divulgaram uma nota conjunta expressando “profunda preocupação e rejeição” às ações militares unilaterais. O documento afirma que as iniciativas violam princípios fundamentais do direito internacional previstos na Carta da ONU, contrariam a proibição do uso e da ameaça da força e desrespeitam a soberania e a integridade territorial dos Estados.

Os países signatários consideram que esse tipo de ação constitui um “precedente sumamente perigoso para a paz e a segurança regional” e “coloca em risco a população civil”. A nota sustenta que a situação venezuelana deve ser resolvida “exclusivamente por vias pacíficas”, por meio do diálogo e da negociação, sem ingerências externas, e reafirma a América Latina e o Caribe como “zona de paz”.

O texto também manifesta preocupação com tentativas de controle ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos, classificadas como incompatíveis com o direito internacional.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sequestrado pelos Estados Unidos. Foto: Reprodução