
O assalto registrado durante a virada do ano em um laboratório da Universidade de São Paulo (USP) passou a ser investigado também sob a hipótese de espionagem científica. A suspeita surgiu após a constatação de que, além do furto de cobre, os criminosos levaram computadores com softwares e dados desenvolvidos pela própria universidade, o que levantou dúvidas sobre a real motivação do crime.
Segundo o vice-diretor do Instituto de Energia e Ambiente, Ildo Sauer, foram subtraídas oito bobinas de cobre, com prejuízo estimado em até R$ 40 mil, além de dois computadores que continham HDs e programas exclusivos do instituto.
Também houve destruição de equipamentos e instalações para facilitar a retirada de mais material metálico. Ainda assim, o furto dos computadores chamou mais atenção do que o valor do cobre levado.
Em entrevista à CBN, Sauer afirmou que a ação teve características incomuns. De acordo com ele, os assaltantes aparentavam estar preparados e sabiam exatamente onde ir. Um dos pontos que mais intrigam os investigadores é o fato de os criminosos terem acessado o laboratório usando uma senha restrita a funcionários. A polícia apura como essa informação foi obtida.

O laboratório invadido é considerado estratégico. Trata-se de uma das três únicas estruturas no mundo capazes de realizar ensaios de segurança em equipamentos utilizados por trabalhadores expostos a risco de descarga elétrica. Os outros dois laboratórios com essa certificação estão localizados no Canadá e na Espanha. O da USP foi o segundo a entrar em operação nesse tipo de atividade.
Diante desse contexto, o vice-diretor do instituto levantou a possibilidade de espionagem científica ou industrial.
“Há outra linha de investigação que pensa que poderia se tratar de uma espionagem científica industrial, no caso do software e das informações contidas nos HDs. Porque este laboratório é um dos três únicos do mundo. Foi o segundo a entrar em operação – um no Canadá, um na Espanha e outro aqui no Brasil que faz esse tipo de certificação de desempenho de equipamentos”, disse.
Até o momento, porém, essa é apenas uma das hipóteses consideradas, e não há confirmação oficial sobre a motivação do crime.