
A Ucrânia investiga o provável emprego de um míssil balístico russo de alcance intermediário do tipo Orechnik contra o território do país na noite desta quinta-feira (8). A arma, desenvolvida para cenários de guerra nuclear, havia sido utilizada anteriormente apenas uma vez, em novembro de 2024, também contra alvos ucranianos. Autoridades militares afirmam que o caso segue em apuração, com indícios técnicos compatíveis com esse tipo de armamento.
O ataque atingiu a região de Lviv, no oeste da Ucrânia. Segundo o governo local, um dos maiores depósitos subterrâneos de gás da Europa, localizado na cidade de Strii, foi alvejado. O complexo fica a cerca de 100 quilômetros da fronteira com a Polônia, país integrante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o que elevou o nível de alerta regional.
Câmeras de segurança registraram fortes clarões no céu às 23h46, horário local. As imagens antecederam uma noite marcada por ataques em diferentes pontos do país. Em Kiev, ao menos duas pessoas morreram em decorrência dos bombardeios, segundo autoridades ucranianas. Houve ainda registros de apagões em áreas próximas ao local atingido em Lviv.
A Força Aérea da Ucrânia informou que analisa dados de radar, imagens e relatos para confirmar o tipo de míssil empregado. Uma equipe especializada em segurança nuclear foi enviada à área impactada para verificar a presença de resíduos radioativos, mas até o momento não foram detectados vestígios. As autoridades ressaltaram que o Orechnik pode ser equipado com múltiplas ogivas, o que amplia seu potencial destrutivo mesmo sem carga nuclear.
🚨AGORA: Um míssil da Rússia de longo alcance foi lançado e viajou cerca de 1.800 quilômetros em apenas 12 minutos, atingindo uma região da Ucrânia.
Durante o trajeto, o míssil alcançou uma velocidade extremamente alta, de cerca de 10 mil km por hora, muito acima da velocidade… pic.twitter.com/gEKCI7Lglt
— CHOQUEI (@choquei) January 8, 2026
Vídeos gravados por moradores mostram a reentrada na atmosfera de múltiplas ogivas em altíssima velocidade, envoltas em plasma incandescente, padrão semelhante ao observado no ataque registrado contra Dnipro há pouco mais de um ano. Analistas militares ouvidos pela imprensa internacional afirmam que as imagens são compatíveis com o uso de um míssil balístico de alcance intermediário, cuja categoria internacional prevê distâncias entre 550 e 5.000 quilômetros.
O Orechnik emprega até seis ogivas independentes e pode lançar submunições que atingem o solo com extrema energia cinética. Segundo especialistas, essas cargas podem alcançar velocidades superiores a 11 vezes a do som, o que dificulta a detecção e a interceptação. A Ucrânia não dispõe de sensores espaciais próprios nem de sistemas capazes de neutralizar esse tipo de arma fora da atmosfera.
O episódio ocorre em meio a movimentações diplomáticas envolvendo negociações de paz. Nos últimos dias, países europeus pressionaram por um acordo favorável a Kiev, enquanto os Estados Unidos participaram de tratativas paralelas.
O Kremlin, por sua vez, manteve postura discreta sobre as conversas realizadas em Paris, mas reiterou que considera “alvos legítimos” eventuais forças estrangeiras enviadas para monitorar um cessar-fogo.
O governo russo também relaciona o contexto recente a outros episódios de tensão, como a apreensão, por forças norte-americanas, de um petroleiro de bandeira russa transportando petróleo venezuelano sob embargo.