
O ator Wagner Moura afirmou que o ataque dos Estados Unidos à Venezuela é “simplesmente inaceitável” e representa “um precedente muito, muito perigoso” no cenário internacional. A declaração foi dada em entrevista ao The Hollywood Reporter, publicada nesta quinta-feira (8), durante a divulgação do filme O Agente Secreto.
“Isso não tem nada a ver com apoiar Maduro ou seu regime”, disse o ator. “Acho que ele é um ditador e a Venezuela merece alguém melhor do que Maduro. Mas os Estados Unidos invadirem e bombardearem um país, matarem pessoas em um país e sequestrarem seu presidente? É um precedente muito, muito perigoso”, afirmou.
Na entrevista, Wagner Moura também fez referência direta ao histórico da política externa norte-americana na América Latina. “[O ataque] nos faz lembrar dos velhos tempos do imperialismo americano, da Doutrina Monroe e da política do ‘grande porrete’”, declarou.

O ator mencionou ainda o apoio dos Estados Unidos a regimes autoritários na região ao longo do século XX. “Todas as ditaduras na América do Sul nas décadas de 60 e 70 foram apoiadas pela CIA nos Estados Unidos”, disse, ao relacionar o tema ao contexto retratado no longa dirigido por Kleber Mendonça Filho.
“O Agente Secreto” acompanha a trajetória de um professor perseguido durante a ditadura militar brasileira e foi escolhido para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar de melhor filme internacional. O longa também concorre ao Globo de Ouro em categorias como melhor filme de drama, melhor filme internacional e melhor ator.
Ao final da entrevista, Wagner Moura afirmou que não vê uma reação internacional proporcional aos acontecimentos. “Isso não pode ser aceito. E não estou vendo uma reação forte da comunidade internacional”, declarou o ator, ao comentar a ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela.