Trump ameaça atacar por terra cartéis no México

Atualizado em 9 de janeiro de 2026 às 7:11
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Reprodução

O presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos estão próximos de iniciar operações terrestres contra cartéis de drogas no México, após meses de ações navais no Pacífico e no Caribe. A declaração foi feita nesta quinta-feira (8) em entrevista exibida pela Fox News.

“Vamos começar agora a atacar por terra os cartéis. Eles estão controlando o México. Estão matando 250, 300 mil pessoas no nosso país todos os anos.” Ele classificou a situação como crítica e acrescentou: “É muito, muito triste ver o que aconteceu com aquele país.”

Washington já incluiu diversos cartéis mexicanos na lista de organizações terroristas e não descartou incursões no território vizinho. Trump afirmou que chegou a perguntar à presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, se ela precisava de apoio militar dos EUA para combater os grupos criminosos.

Segundo ele, o México “precisa se organizar”, embora não tenha apresentado detalhes adicionais sobre operações.

Trump também disse que vai se reunir com a líder da oposição venezuelana María Corina Machado na próxima semana, poucos dias depois da ofensiva que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e que incluiu ameaças de ataques terrestres contra cartéis de droga na América Latina. A reunião está prevista para ocorrer na Casa Branca e será o primeiro encontro entre os dois líderes desde a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela.

Nos últimos dias, a governança futura da Venezuela ficou em aberto após a captura de Maduro. Trump havia descartado a ideia de trabalhar com Machado nos primeiros momentos após a operação, alegando que ela “não tem apoio nem respeito dentro do país”.

Em entrevista à Fox News nesta quinta‑feira, o presidente afirmou que Machado “virá na próxima semana em algum momento” e que está ansioso para cumprimentá‑la. Quando questionado se aceitaria um eventual Prêmio Nobel da Paz oferecido por ela, Trump disse que isso seria “uma grande honra”.

Até agora, Trump não fez uma oferta pública semelhante à presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, embora tenha declarado em entrevistas que os EUA estão “se dando muito bem” com o governo e que “estão nos dando tudo o que achamos necessário”, referindo‑se à cooperação de Rodríguez.

“América não pertence aos EUA”

Claudia Sheinbaum rejeitou qualquer intervenção dos Estados Unidos. A presidente afirmou que seu país mantém posição clara em defesa da soberania e criticou a ideia de ações militares estrangeiras.

Durante entrevista coletiva, declarou que a América não pertence a nenhuma potência: “O continente americano pertence aos povos de cada um dos países que o compõem”.

Sheinbaum disse que o México rejeita “de maneira categórica a intervenção nos assuntos internos de outros países”, destacando que esse tipo de ação “nunca trouxe democracia” nem garantiu “bem-estar ou estabilidade duradoura”.

A presidente ainda afirmou que conversou recentemente com Gustavo Petro e Pedro Sánchez para coordenar um comunicado conjunto contra “qualquer tentativa de controle” sobre a Venezuela, com participação também de Brasil, Chile e Uruguai.

Apesar das críticas à retórica de Trump, o governo mexicano mantém cooperação com a inteligência estadunidense em ações contra cartéis. Os dois países compartilham mais de 3.000 quilômetros de fronteira e os EUA seguem como principal parceiro econômico do México.