
Multidões voltaram às ruas do Irã em um movimento que já é tratado como a maior onda de mobilizações contra o regime clerical em anos. Os protestos, que começaram pelo colapso da moeda local, rapidamente se transformaram em manifestações de oposição direta ao aiatolá Ali Khamenei e ganharam amplitude nacional.
Em Teerã, Mashhad e Babol, vídeos verificados pela BBC Persian mostram grupos pedindo a deposição do líder supremo e gritando “Viva o xá” e “Pahlavi retornará”, em referência a Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã.
O cenário de convulsão levou a agência de monitoramento NetBlocks a reportar um “apagão nacional” nas comunicações. “Métricas em tempo real mostram que o Irã está em meio a um apagão nacional da internet”, disse a entidade, alertando que o bloqueio prejudica o direito da população à comunicação “em um momento crítico”.
Segundo a BBC Persian, houve manifestações em ao menos 100 cidades e vilas nas 31 províncias iranianas desde 28 de dezembro. Inicialmente liderado por comerciantes da capital, o movimento ganhou força com a adesão de estudantes universitários e moradores de regiões com histórico de tensão política.
🇮🇷 A massive pro-government rally took place in Isfahan, Iran, on Tuesday, January 6, 2026, where thousands of participants gathered to show support for Iran’s Islamic establishment and government.
State-aligned media and local reports said the crowd assembled under the slogan… pic.twitter.com/n9HOZbb4ca
— Drop Site (@DropSiteNews) January 8, 2026
O rial despencou a níveis recordes, a inflação alcançou 40% e sanções ligadas ao programa nuclear aprofundaram a crise econômica, fatores que catalisaram a insatisfação.
Organizações de direitos humanos divergem sobre o número de mortos. A HRANA afirma que ao menos 34 manifestantes e oito agentes das forças de segurança perderam a vida, enquanto a Iran Human Rights relata 45 mortos, incluindo crianças. A BBC Persian conseguiu confirmar 21 identidades. As autoridades iranianas, por sua vez, mencionam seis mortes entre as forças de segurança.
Registros da noite de quinta-feira mostram manifestantes removendo câmeras de vigilância em Mashhad e marchando em avenidas importantes de Teerã. Na cidade curda de Babol, grupos gritavam “Morte ao ditador”.

Em Lomar, na província de Ilam, vídeos mostram uma multidão entoando “Canhões, tanques, fogos de artifício, os mulás devem sair”. Também foram registradas lojas fechadas em vilas curdas de Kermanshah e Lorestan, após grupos de oposição exilados convocarem greve geral.
A repressão tem sido intensa. A organização IHR afirma que quarta-feira foi o dia mais letal dos protestos, com 13 mortos.
“As evidências mostram que a repressão está se tornando mais violenta e abrangente a cada dia”, disse Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor do grupo. Ainda assim, vídeos mostram que a mobilização continua, apesar da tentativa do regime de minimizar o tamanho das manifestações. A mídia estatal tem divulgado imagens de ruas vazias e descreve os manifestantes como “arruaceiros”.