
Deputados da esquerda francesa apresentaram nesta sexta (9) uma moção de censura contra o governo de Emmanuel Macron, em reação ao avanço do acordo entre a União Europeia e o Mercosul e à posição do país diante da crise na Venezuela. A iniciativa parte do partido A França Insubmissa, que classificou como “humilhação” a postura nas negociações em Bruxelas e no cenário internacional.
O anúncio foi feito pela líder parlamentar do partido, Mathilde Panot, que informou a apresentação formal da moção contra o governo liderado pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu. Segundo ela, Paris foi derrotada politicamente no debate sobre o Mercosul e falhou ao não condenar a ação dos Estados Unidos na Venezuela. “Lecornu e Macron devem ir embora”, escreveu.
Nesta sexta, os embaixadores permanentes dos 27 países da União Europeia se reúnem em Bruxelas para decidir se o texto do acordo UE–Mercosul seguirá para aprovação do Conselho Europeu. Caso o processo avance, a assinatura definitiva poderá ocorrer já na próxima segunda (12) pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Apesar do avanço das tratativas, Macron anunciou voto contrário ao acordo, alegando “rejeição política unânime” dentro da França. A oposição de Paris está ligada sobretudo às preocupações do setor agropecuário, que teme a concorrência de produtos sul-americanos, como carne, soja e arroz, considerados mais competitivos.
A moção também critica a atuação dos Estados Unidos na Venezuela. Os deputados denunciam o que chamam de “guerra ilegal e ilegítima” e exigem a “libertação imediata” de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, atualmente detidos em território americano, segundo o texto apresentado.
Além da esquerda, a ultradireita também reagiu. O líder do Reagrupamento Nacional, Jordan Bardella, anunciou outra moção de censura contra o governo francês e uma iniciativa semelhante no Parlamento Europeu contra a Comissão Europeia.