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Vaticano teria articulado asilo de Maduro na Rússia antes de seu sequestro

Cardeal Pietro Parolin se reúne com Nicolás Maduro em Caracas em 2013, ao lado do arcebispo Diego Padrón. Foto: Juan Barreto/AFP/Getty Images

O jornal norte-americano Washington Post revelou que o Vaticano tentou negociar com os Estados Unidos o envio de Nicolás Maduro para a Rússia antes da invasão da Venezuela e do sequestro do líder pelo governo de Donald Trump.

A Santa Sé buscou evitar a operação militar propondo que o presidente venezuelano aceitasse o asilo oferecido por Moscou. De acordo com o jornal, o cardeal Pietro Parolin, segunda autoridade mais importante do Vaticano, conversou com o embaixador dos EUA junto à Santa Sé, Brian Burch, em busca de detalhes sobre os planos norte-americanos.

Parolin tentou por dias contato com o secretário de Estado Marco Rubio e pediu paciência aos Estados Unidos para pressionar Maduro a aceitar a oferta russa. Uma fonte afirmou que Vladimir Putin garantiria a segurança do venezuelano e que “o que foi proposto a [Maduro] foi que ele fosse embora e pudesse desfrutar do seu dinheiro”.

Putin conversa com Maduro e manifesta solidariedade à Venezuela em meio à ofensiva dos EUA - Brasil de Fato
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e Nicolás Maduro. Foto: Reprodução

Maduro, porém, rejeitou a alternativa e ignorou o prazo dado pelo governo Trump. Segundo a imprensa internacional, ele afirmou que só deixaria o país se tivesse anistia total para ele e sua família, incluindo a remoção de sanções e o fim de um processo no Tribunal Penal Internacional.

Pressão interna e recusa final de Maduro

O jornal também relata que Diosdado Cabello teria alertado Maduro de que renunciar colocaria sua vida em risco, influenciando sua decisão de permanecer. A publicação aponta ainda que Maduro temia perder acesso a recursos do comércio de ouro mantidos no exterior.

Parolin sugeriu aos EUA a definição de um prazo e garantias à família de Maduro. Trump deu uma semana para que ele deixasse a Venezuela. Com a negativa, os Estados Unidos atacaram Caracas e outros três estados na madrugada de sábado. Maduro e Cilia Flores foram sequestrados e levados a Nova York, onde se declararam inocentes perante a Justiça.