
Os principais partidos políticos da Groenlândia divulgaram uma declaração conjunta rejeitando qualquer possibilidade de anexação pelos Estados Unidos, após novas declarações do presidente norte-americano, Donald Trump. O posicionamento foi divulgado na noite de sexta-feira (10) e reúne todas as legendas com representação no Parlamento do território autônomo ligado à Dinamarca.
“Não queremos ser americanos, não queremos ser dinamarqueses, queremos ser groenlandeses”, afirmaram os líderes partidários no comunicado. O texto é assinado tanto pelas quatro siglas que integram o governo local quanto pelo principal partido de oposição, que defende a independência em relação à Dinamarca.
Trump voltou a afirmar que o controle da Groenlândia é “crucial” para a segurança nacional dos Estados Unidos, citando o aumento da presença militar da Rússia e da China no Ártico. Na sexta-feira (10), declarou que pretende alcançar esse objetivo “por bem ou por mal”.
O presidente dos Estados Unidos reforçou que pretende tornar a Groenlândia parte do país “do jeito fácil ou difícil”. A declaração foi feita durante reunião na Casa Branca com executivos da indústria petrolífera, após discussões sobre exploração de petróleo na Venezuela.
Sobre a Groenlândia, o presidente Trump disse que “faremos algo, quer eles gostem ou não”. Disse que gostaria de fazer pelo “jeito fácil”, mas que se não conseguir, fará pelo “jeito difícil”. Trump parece mesmo dedicado a ser o primeiro membro da OTAN a atacar outro membro da… pic.twitter.com/KKt8PbAwTE
— Hoje no Mundo Militar (@hoje_no) January 9, 2026
A Casa Branca informou que Trump avalia “ativamente” alternativas para assumir o controle do território, incluindo a possibilidade de um acordo direto, sem descartar outras opções. Os Estados Unidos mantêm uma base militar na Groenlândia, a base de Pituffik, considerada estratégica desde a Segunda Guerra Mundial.
As declarações também provocaram reação de aliados europeus. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou que uma eventual tomada da Groenlândia colocaria em risco a arquitetura de segurança internacional construída no pós-guerra. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, deve se reunir na próxima semana com autoridades dinamarquesas e representantes groenlandeses para tratar do tema.