“Por bem ou por mal”: Groenlândia rejeita anexação pelos EUA após ameaças de Trump

Atualizado em 10 de janeiro de 2026 às 7:25
A bandeira da Groenlândia (Erfalasorput) tremula no telhado do Castelo de Tivoli, em Copenhague — Foto: IDA MARIE ODGAARD/RITZAU SCANPIX/AFP

Os principais partidos políticos da Groenlândia divulgaram uma declaração conjunta rejeitando qualquer possibilidade de anexação pelos Estados Unidos, após novas declarações do presidente norte-americano, Donald Trump. O posicionamento foi divulgado na noite de sexta-feira (10) e reúne todas as legendas com representação no Parlamento do território autônomo ligado à Dinamarca.

“Não queremos ser americanos, não queremos ser dinamarqueses, queremos ser groenlandeses”, afirmaram os líderes partidários no comunicado. O texto é assinado tanto pelas quatro siglas que integram o governo local quanto pelo principal partido de oposição, que defende a independência em relação à Dinamarca.

Trump voltou a afirmar que o controle da Groenlândia é “crucial” para a segurança nacional dos Estados Unidos, citando o aumento da presença militar da Rússia e da China no Ártico. Na sexta-feira (10), declarou que pretende alcançar esse objetivo “por bem ou por mal”.

O presidente dos Estados Unidos reforçou que pretende tornar a Groenlândia parte do país “do jeito fácil ou difícil”. A declaração foi feita durante reunião na Casa Branca com executivos da indústria petrolífera, após discussões sobre exploração de petróleo na Venezuela.

A Casa Branca informou que Trump avalia “ativamente” alternativas para assumir o controle do território, incluindo a possibilidade de um acordo direto, sem descartar outras opções. Os Estados Unidos mantêm uma base militar na Groenlândia, a base de Pituffik, considerada estratégica desde a Segunda Guerra Mundial.

As declarações também provocaram reação de aliados europeus. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou que uma eventual tomada da Groenlândia colocaria em risco a arquitetura de segurança internacional construída no pós-guerra. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, deve se reunir na próxima semana com autoridades dinamarquesas e representantes groenlandeses para tratar do tema.