Esquenta do Oscar: Brasil tem chance triplicada de levar o Globo de Ouro com Wagner Moura

Atualizado em 10 de janeiro de 2026 às 12:20
Wagner Moura em cena de “O Agente Secreto”. Foto: DIVULGAÇÃO/VITRINE FILMES

O Brasil volta a experimentar um clima de final de campeonato às vésperas da cerimônia do Globo de Ouro, marcada para o próximo domingo (11), em Los Angeles. A 83ª edição da premiação reforça um movimento iniciado no ano passado, quando a vitória de Fernanda Torres na categoria Melhor Atriz, por sua interpretação em Ainda Estou Aqui, reposicionou o audiovisual brasileiro no radar internacional e ampliou a atenção da indústria para produções do país.

Em 2026, esse protagonismo ganha novo fôlego com O Agente Secreto, que se torna o principal representante brasileiro na disputa, com três indicações: melhor filme de drama, melhor filme em língua não inglesa e melhor ator em filme de drama. É a primeira vez que um longa brasileiro concorre na categoria principal de drama do Globo de Ouro, feito considerado histórico para o cinema nacional.

Estrelado por Wagner Moura, o filme chega à premiação embalado por uma trajetória consistente ao longo da temporada internacional. Desde a estreia premiada no Festival de Cannes, em 2025, o longa vem acumulando estatuetas, críticas favoráveis e uma circulação intensa em festivais, salas comerciais e eventos voltados aos votantes. O reconhecimento mais recente veio com a vitória inédita no Critics Choice Awards de melhor filme internacional — a primeira do Brasil na categoria.

A campanha robusta tem reflexos diretos na disputa individual. Veículos especializados como a revista Vanity Fair passaram a apontar Wagner Moura, protagonista do filme, entre os favoritos ao Globo de Ouro, destacando a força de sua atuação em português, após mais de uma década dedicada majoritariamente a produções internacionais.

No Globo de Ouro, a divisão das categorias de atuação entre drama e comédia ou musical também altera o cenário da competição: Moura não concorre com nomes como Timothée Chalamet ou Leonardo DiCaprio, posicionados em outra categoria, e enfrenta atores como Michael B. Jordan e Dwayne Johnson, em uma disputa considerada aberta.

Palco do anúncio das indicações da 83ª edição do Globo de Ouro em 8 de dezembro de 2025. Foto: Emma McIntyre/WireImage

Além do peso artístico, o perfil do Globo de Ouro contribui para ampliar as chances brasileiras. Diferentemente de premiações formadas majoritariamente por críticos norte-americanos, o evento reúne 334 votantes de 85 países, o que favorece produções internacionais com forte circulação global e campanhas estruturadas. Nesse contexto, a presença constante do diretor Kleber Mendonça Filho e da equipe do filme em debates, exibições especiais e encontros com eleitores tem sido estratégica.

A concorrência, no entanto, é acirrada. Em melhor filme em língua não inglesa, O Agente Secreto disputa o prêmio com produções como Os Excelentes, Foi Apenas um Acidente, Valor Sentimental, Cirate – A Voz de Rindi Rásda e A Única Saída. Já na categoria de melhor filme de drama, o longa brasileiro enfrenta títulos de grande orçamento e visibilidade internacional, como Frankenstein, Hamnet, Pecadores e Sarraf.

A trajetória recente ajuda a explicar o otimismo. Com a vitória no Critics Choice, o filme também conquistou o chamado trifecta da crítica norte-americana, ao ser premiado pela National Society of Film Critics, pelo New York Film Critics Circle e pela Los Angeles Film Critics Association. Ao todo, o longa soma agora 48 prêmios internacionais.

“O prêmio do Critics Choice deu uma visibilidade ainda maior para O Agente Secreto, que está tendo uma carreira excelente nos cinemas dos Estados Unidos”, afirmou Kleber Mendonça Filho, ao comentar a temporada de premiação. Segundo o diretor, o reconhecimento ajuda a ampliar o debate sobre o cinema internacional em um momento político sensível nos Estados Unidos, em que a produção estrangeira ocupa espaço central nas discussões culturais.

No circuito comercial, os números também reforçam o impacto do filme. Em sua nona semana em cartaz no Brasil, O Agente Secreto já ultrapassou 1,1 milhão de espectadores. Na França, o público se aproxima de 300 mil pessoas, e o longa tem estreias programadas para o fim de janeiro na Itália e na Espanha, além de lançamento no Reino Unido e na Irlanda em fevereiro.

A agenda internacional segue intensa. Além do Globo de Ouro, o filme concorre ao prêmio de melhor filme internacional no Independent Spirit Awards, figura entre os indicados ao Lumières, da crítica francesa, na categoria de melhor coprodução internacional, e integra a shortlist do Oscar nas categorias de melhor filme internacional e elenco. As indicações finais à maior premiação do cinema mundial serão anunciadas no dia 22 de janeiro.

Originalmente publicado em Agência Brasil