Guerra na Ucrânia: Zelensky cobra EUA e pressiona Trump

Atualizado em 10 de janeiro de 2026 às 13:10
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Foto: Francesco Fotia/Reuters

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, apresentou novas exigências aos Estados Unidos relacionadas à condução do conflito com a Rússia e afirmou que pretende discutir pessoalmente o tema com o presidente Donald Trump. Em entrevista por telefone à Bloomberg, divulgada na sexta-feira (9), Zelensky disse que busca compromissos claros de Washington e declarou: “Não quero que tudo se limite a prometer uma reação”, acrescentando que espera “algo mais concreto” do governo norte-americano.

Segundo o presidente ucraniano, a posição decorre da avaliação de que os Estados Unidos precisam responder de forma mais sistemática às ações de Moscou. “Não se pode mostrar aos russos o que eles querem ver ou ouvir”, afirmou. Ele também disse que a Ucrânia ainda não recebeu todos os sistemas de defesa aérea Patriot e munições que, segundo ele, haviam sido prometidos por aliados ocidentais.

As declarações ocorrem em meio a dificuldades enfrentadas pelas forças ucranianas no campo de batalha, incluindo escassez de tropas, armamentos e desgaste prolongado dos combates. Paralelamente, o governo de Kiev lida com denúncias e investigações de corrupção que envolvem pessoas próximas ao presidente, em um momento de pressão interna e externa sobre a condução da guerra.

Soldado ucraniano em local de ataque a shopping center em Kiev durante invasão da Ucrânia pela Rússia. Foto: Reuters

No plano econômico, Zelensky afirmou que discute com os Estados Unidos a possibilidade de um acordo de livre comércio, com tarifas zero, como parte de um “pacote de prosperidade” voltado à recuperação do país. Segundo ele, a proposta incluiria zonas industriais específicas e daria à Ucrânia “uma vantagem muito importante” em relação a países vizinhos, funcionando também como garantia de segurança econômica.

O presidente ucraniano disse ainda que avalia uma proposta de Washington para a criação de uma zona econômica livre que separaria forças ucranianas e russas após uma eventual trégua. Essa área funcionaria sob um regime jurídico e tributário especial, permitindo atividades econômicas enquanto as tropas permaneceriam afastadas.

Sobre um possível cessar-fogo, Zelensky afirmou que uma das opções em discussão seria manter as forças onde estão atualmente. “Trata-se de congelar a linha de contato, não o conflito”, declarou, acrescentando que esse modelo poderia ser mais simples de implementar e supervisionar por aliados estrangeiros enquanto outras negociações avançam.