
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que não acredita que os Estados Unidos recorram a força militar para tomar a Groenlândia e alertou, na sexta-feira, que uma iniciativa desse tipo teria consequências graves para a OTAN.
Na tradicional coletiva de Ano Novo, Meloni disse que o reforço da presença da OTAN no Ártico pode responder às preocupações dos EUA sobre a influência de potências rivais na região, reduzindo a pressão por ações unilaterais de Washington.
“Continuo não acreditando na hipótese de os Estados Unidos lançarem uma ação militar para assumir o controle da Groenlândia, algo que eu claramente não apoiaria”, afirmou Meloni, uma das aliadas mais próximas do presidente dos EUA, Donald Trump, na Europa.
As declarações ocorrem em meio ao aumento das tensões sobre a política americana no Ártico e sobre o papel da Europa na definição da segurança regional, depois que a operação militar dos EUA na Venezuela, no último fim de semana, reacendeu temores sobre as intenções de Trump em relação à Groenlândia.
Meloni mantém laços antigos com Trump e foi a única líder europeia presente em sua posse no ano passado. Seus apoiadores esperavam que ela tivesse acesso privilegiado ao presidente e atuasse como ponte entre Washington e a Europa, mas não está claro se seus conselhos têm sido levados em conta.
“Há muitas coisas em que não concordo com Trump. Por exemplo, acredito que o direito internacional precisa ser defendido com firmeza. Quando discordo, eu digo, sem dificuldade”, declarou. Em tom irônico, questionou: “Devemos fechar as bases militares americanas? Romper relações comerciais? Invadir o McDonald’s? Eu não sei o que deveríamos fazer”. Veja o vídeo:
🇪🇺🇮🇹 PM Meloni: Should we close American military bases? Or cut trade relations? Should we storm McDonalds? I don’t know what we should do pic.twitter.com/Qir8Q3fOFo
— Mariska den Eelden 🇪🇺🇳🇱 (@eeldenden) January 9, 2026
Ameaça à OTAN
Enquanto a maioria dos líderes da União Europeia criticou os Estados Unidos pelo sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro em uma operação militar ousada, Meloni disse ter apoiado a ação.
“Concordei com Trump sobre a Venezuela. Não concordo com ele sobre a Groenlândia”, afirmou, acrescentando que não seria do interesse de ninguém que os EUA tomassem o vasto território, situado em posição estratégica entre a Europa e a América do Norte. “Para ser clara, nem mesmo seria do interesse dos próprios Estados Unidos”, completou.
A Casa Branca declarou na terça-feira que avalia uma série de opções para adquirir a Groenlândia, inclusive o uso da força militar. Meloni disse que está “claro para todos” que qualquer iniciativa americana teria impacto relevante sobre a OTAN, razão pela qual acredita que Washington não levará a ameaça adiante.
Ainda assim, defendeu o aumento da presença da OTAN na região e disse compreender as preocupações dos EUA sobre a necessidade de evitar “interferência excessiva de outros atores, que podem até ser hostis”.