
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, reafirmou nesta sexta-feira (9) o compromisso de seu governo de enfrentar pela “via diplomática” o que chamou de “agressão criminosa” dos Estados Unidos. A declaração foi dada durante conversas telefônicas com os líderes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, da Colômbia, Gustavo Petro, e da Espanha, Pedro Sánchez, após os ataques americanos que culminaram na captura do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, no último sábado. A operação dos EUA, que incluiu bombardeios em Caracas, intensificou a crise entre os países.
Rodríguez destacou que o governo venezuelano continuará a combater a agressão dos EUA, apelando ao diálogo e buscando soluções diplomáticas. Ela também mencionou o recebimento de uma comissão dos Estados Unidos para reavaliar as relações bilaterais e possíveis negociações. A Venezuela anunciou que retomaria os contatos diplomáticos diretos com os EUA, criando a base para a normalização das relações, após anos de tensões. O governo venezuelano se prepara para restabelecer as embaixadas, interrompidas desde 2019, quando Donald Trump rompeu oficialmente os laços diplomáticos.
O retorno às negociações diplomáticas foi reforçado por Delcy Rodríguez, que afirmou que os diálogos com os EUA visam abordar não só as consequências da ação militar contra Maduro, mas também uma agenda de interesse mútuo entre os dois países. A retórica crítica à intervenção americana foi um ponto central durante a conversa, onde líderes como Lula e Sánchez reiteraram o apoio à soberania venezuelana. Enquanto isso, o governo de Gustavo Petro, da Colômbia, também se alinhou com a posição de oposição à ação dos EUA, manifestando solidariedade à Venezuela.
Rodríguez também expressou gratidão ao emir do Catar, Sheikh Tamim bin Hamad Al Thani, que tem desempenhado um papel de mediador nas negociações entre a Venezuela e os Estados Unidos. O Catar reiterou sua disposição em colaborar com a construção de uma agenda de diálogo, além de pedir que as disputas entre os países sejam resolvidas por meios pacíficos. Com o apoio de diversos países da região, a Venezuela parece se preparar para dar um novo passo em direção à normalização das relações com os Estados Unidos, após o agravamento das tensões nos últimos anos.

A notícia foi seguida pela confirmação da chegada de uma equipe diplomática dos EUA à Caracas para realizar uma análise inicial sobre a viabilidade de reiniciar as operações no país. A delegação americana, liderada pelo encarregado de negócios John T. McNamara, foi enviada com o objetivo de avaliar os próximos passos nas relações diplomáticas. A expectativa é que a normalização das embaixadas seja um marco para a retomada dos diálogos e para aliviar a pressão política sobre o governo de Maduro.
Ao mesmo tempo, o governo venezuelano planeja enviar uma equipe diplomática a Washington, dando início a uma série de encontros para discutir as condições para restabelecer as relações formais. A indicação de McNamara como possível novo embaixador dos EUA em Caracas também sinaliza a intenção de Washington em reconstruir os laços, que foram rompidos há sete anos durante o governo Trump. No entanto, o sucesso dessa empreitada depende de como as questões internas da Venezuela, incluindo o futuro de Maduro, serão tratadas pelas partes envolvidas.
Embora o processo de normalização tenha avançado, o cenário continua delicado, especialmente com a postura do governo de Joe Biden, que, apesar da disposição para retomar as conversações, ainda enfrenta desafios políticos e econômicos em relação ao regime de Maduro. A captura de Maduro e a operação militar contra a Venezuela foram criticadas por muitos, mas também abriram espaço para uma reavaliação das estratégias diplomáticas de ambos os lados.
No contexto internacional, o movimento de reaproximação entre os EUA e a Venezuela traz implicações para toda a América Latina. A expectativa é que as negociações se expandam para incluir outras nações da região, que têm interesses diversos em relação à política venezuelana. A normalização das relações pode representar uma mudança importante nas dinâmicas geopolíticas, especialmente com os Estados Unidos e seus aliados latino-americanos se posicionando de forma mais ativa no cenário venezuelano.