
O governo Trump está preparando um ataque ao Irã, incluindo a possibilidade de bombardeios aéreos de grande escala. Segundo fontes ouvidas pelo Wall Street Journal, autoridades analisam como dar sequência às recentes ameaças mais duras do presidente contra a República Islâmica, inclusive definindo quais locais poderiam ser atingidos.
Entre as opções em discussão está uma ampla campanha aérea contra diversos alvos militares iranianos. Ainda assim, Washington não chegou a um acordo sobre um curso de ação. De acordo com os mesmos interlocutores, nenhum equipamento ou contingente militar foi deslocado até agora, e as conversas fazem parte de procedimentos regulares de planejamento, sem indicação de ataque iminente.
Apesar disso, Trump insinuou uma possível retaliação caso Teerã continue reprimindo manifestantes. Em uma publicação na rede Truth Social, escreveu: “O Irã está diante da LIBERDADE, talvez como nunca antes. Os EUA estão prontos para ajudar!!!”.
Em junho passado, Trump autorizou a primeira ofensiva americana em território iraniano. Na ocasião, os EUA lançaram ao menos seis bombas “antibunker” contra três instalações, entre elas a usina de enriquecimento nuclear de Fordow, protegida por uma estrutura subterrânea a cerca de 90 metros sob uma montanha.
O bombardeio ocorreu depois de o Irã ameaçar usar sua capacidade nuclear contra Israel durante a chamada Guerra dos 12 Dias e foi coordenado com ataques israelenses à infraestrutura militar iraniana.
As discussões atuais também estão ligadas a advertências reiteradas de Trump de que os EUA reagiriam em apoio aos manifestantes se o regime iraniano continuasse a empregar violência contra civis. “É melhor vocês não começarem a atirar, porque nós também vamos atirar”, afirmou o presidente na sexta-feira.
Em resposta, o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, acusou Trump de ter as mãos “manchadas com o sangue dos iranianos”, em discurso exibido na sexta. Diante de apoiadores que gritavam “Morte à América!”, Khamenei disse que “os terroristas estão destruindo as próprias ruas para agradar ao presidente dos Estados Unidos, porque ele afirmou que iria ajudá-los”, e acrescentou que Trump deveria “olhar para a situação do próprio país”.
No sábado, o Irã declarou que manifestantes — e qualquer pessoa que os ajude — seriam tratados como “inimigos de Deus”, acusação que pode levar à pena de morte. O número oficial de mortos no país chegou a pelo menos 65, sendo 50 manifestantes, embora cresça o temor de que o total real ultrapasse 200.