O processo das filhas de Manoel Carlos contra a Globo por falta de pagamentos

Atualizado em 10 de janeiro de 2026 às 21:21
Júlia Almeida e o pai Manoel Carlos. Foto: Reprodução

A morte de Manoel Carlos, aos 92 anos, neste sábado (10), traz à tona um episódio recente envolvendo a Globo e as filhas do autor. Em setembro de 2025, a empresa Boa Palavra, fundada por Júlia Almeida, filha de Manoel Carlos, entrou com uma ação contra a Globo no Rio de Janeiro.

A ação questiona a falta de transparência nos pagamentos relativos aos direitos das obras do autor, com a família alegando que não há clareza sobre os valores recebidos pela emissora pelas produções de Maneco.

As filhas de Manoel Carlos, além de Júlia, Maria Carolina, também administradora do legado do autor, acreditam que a Globo não foi justa com seu pai após o fracasso de sua última novela, “Em Família” (2014). A família sente que, apesar do sucesso das reprises de novelas como “Laços de Família” e “Por Amor”, a emissora não prestou a devida homenagem ao autor nos últimos anos de sua carreira.

Em 2022, a Globo produziu o documentário “Tributo”, para celebrar a carreira de Manoel Carlos, mas sem a participação dele ou de suas filhas. A família só soube do projeto por terceiros.

Em resposta, a Boa Palavra produziu seu próprio documentário, “O Leblon de Manoel Carlos”, disponível no YouTube, que conta com participações de nomes como Taís Araújo e Vera Fischer, e se propõe a apresentar o legado do autor de forma mais fiel à sua história.

A relação entre a família de Manoel Carlos e a Globo foi marcada por outras frustrações, incluindo a produção de um remake de Páginas da Vida por uma emissora portuguesa sem a comunicação prévia com os herdeiros. Com a morte de Maneco, a expectativa é que a Globo e a Boa Palavra passem a lidar de forma mais direta e transparente com o legado do autor, que continua a ser uma das figuras mais importantes da teledramaturgia brasileira.