
Por Leonardo Sakamoto, no UOL
Os governadores gestores (sic) ou eventuais outsiders técnicos (sic sic) até podem fazer tudo direitinho e não zerar a redação no vestibular eleitoral. Mas, se um Bolsonaro subir no palanque, o centro de gravidade da eleição se desloca, deixando de ser referendo sobre Lula e passando a plebiscito sobre o clã — a favor ou contra.
O restante da direita até tenta se diferenciar, mas esbarra no medo de desagradar o eleitor bolsonarista-raiz. Criticar o sobrenome é arriscado, silenciar é virar coadjuvante, chamar o STF de tirano é rasgar a fantasia de democrata. É o dilema clássico de quem tenta disputar espaço com um movimento que se alimenta de lealdade emocional, não de coerência programática.
Parte da direita passou tanto tempo na órbita do bolsonarismo que esqueceu que não tem luz própria o suficiente para ir ao segundo turno. Depende da bênção de Bolsonaro. Que, por enquanto, está com o seu filho primogênito.
Flávio entrou na corrida eleitoral para tentar forçar o centrão a aprovar uma anistia ao pai, mas as pesquisas mostraram que ele é competitivo. Ao final, contudo, há uma enorme rejeição ao sobrenome, maior que a de Lula. Nesse sentido, o clã pode sacrificar a possibilidade real de retorno da direita ao poder para manter o controle sobre ela.

A pergunta não é se Flávio ganharia, mas se, ao entrar, ele impediria qualquer outro candidato da direita de existir de verdade. Porque, quando a política vira dinastia, não há prévia, só sucessão. E a democracia vira cenário, não protagonista.
Uma parte da imprensa passou anos ironizando o PSOL por disputar mesmo com um candidato forte do PT. Para o partido de esquerda, valia a pena pautar sua agenda na sociedade, fortalecer seus candidatos ao Congresso e apostar no seu crescimento junto ao eleitorado, sabendo que uma vitória seria ficção. Agora, vamos começar a perguntar se é essa a intenção do Republicanos, do União Brasil, do PSD, entre outros?