Preso birrento, Bolsonaro reivindica regalias absurdas para constranger Moraes

Atualizado em 10 de janeiro de 2026 às 21:47
Jair Bolsonaro ao chegar na Superintendência da PF. Reprodução

Após 50 dias preso na Superintendência da Polícia Federal (PF), o ex-presidente Jair Bolsonaro tem feito uma série de pedidos incomuns para garantir regalias enquanto está detido. Os pedidos, feitos diretamente ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), têm gerado controvérsias, especialmente por se tratar de regalias que não são concedidas a outros presos, mesmo aqueles com condições especiais.

Entre as exigências mais notórias de Bolsonaro estão visitas ilimitadas, comida caseira, fim do barulho do ar-condicionado, fisioterapia em horários especiais e, talvez o mais chamativo, a solicitação de uma Smart TV com acesso a serviços de streaming, como Netflix, algo que requer conexão com a internet.

Esses pedidos, que foram analisados com a ajuda da Procuradoria Geral da República (PGR), geraram discussões sobre o tratamento de Bolsonaro em comparação a outros detentos e sobre a possibilidade de seu comportamento ser uma estratégia para constranger o ministro Alexandre de Moraes.

Sala de Estado Maior na Superintendência da PF na qual Bolsonaro está preso. Reprodução

Comida Caseira e Preocupação com Segurança Alimentar

A primeira regalia solicitada por Bolsonaro foi a comida caseira, sob a alegação de que ele não estava consumindo as refeições fornecidas pela unidade penitenciária. Bolsonaro indicou uma dieta restrita, e houve o temor de que ele pudesse ser envenenado, um pedido que foi atendido por Moraes. Porém, os alimentos levados ao ex-presidente passaram a ser minuciosamente vistoriados. Embora algumas regalias incomuns tenham sido aceitas, outros pedidos foram negados por Moraes.

Visitas Ilimitadas e Família Presente

Outro pedido que gerou atenção foi a solicitação de visitas ilimitadas para seus familiares, incluindo filhos e enteados. Bolsonaro argumentou que, por ser um ex-presidente, ele deveria ter acesso irrestrito aos familiares próximos. Inicialmente, quando foi transferido da prisão domiciliar para a Superintendência da PF, houve a necessidade de uma autorização judicial para permitir visitas.

No entanto, em 2 de janeiro de 2026, Moraes atendeu ao pedido e permitiu que os filhos de Bolsonaro, Flávio, Carlos, Jair Renan e Laura, bem como a enteada Letícia Firmo, pudessem visitá-lo de forma permanente. Essa decisão ampliou ainda mais as regalias do ex-presidente, o que gerou críticas sobre a concessão de privilégios a ele durante o período de detenção.

Reivindicações Inusitadas e Reações

Enquanto as regalias têm sido concedidas gradualmente, o ex-presidente tem feito uso de sua posição para testar os limites do sistema. A questão das visitas ilimitadas e a solicitação de uma Smart TV com serviços de streaming são tentativas de constranger o ministro Moraes e criar uma narrativa de que ele seria tratado de forma desigual no sistema penitenciário, em comparação com outros presos.

Embora alguns dos pedidos tenham sido negados, o fato de Moraes ter acatado outros, como a comida caseira e as visitas familiares, levanta questões sobre a uniformidade do tratamento dado aos detentos em situações semelhantes. O comportamento de Bolsonaro nas últimas semanas tem gerado discussões sobre a separação entre as condições especiais que ele recebe e as condições enfrentadas por outros detentos.