
O Irã declarou que responderá militarmente a Israel e às bases dos Estados Unidos caso seja alvo de uma ofensiva. O aviso partiu do presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, em meio a protestos espalhados pelo país e a um ambiente político tensionado. Segundo Qalibaf, se houver ataque externo, os “territórios ocupados” — referência a Israel — e instalações militares dos EUA serão considerados alvos. As declarações surgem enquanto a disputa regional segue inflamando discursos de ambos os lados.
O presidente dos EUA, Donald Trump, aproveitou o cenário para se pronunciar e disse que os norte-americanos estão “prontos para ajudar” manifestantes que buscam “liberdade”. A fala foi interpretada em Teerã como mais um movimento de Washington para se projetar sobre conflitos internos iranianos. As mortes registradas nos protestos — estimadas em ao menos 116, segundo fontes independentes — alimentam versões distintas: enquanto Teerã fala em enfrentamentos incentivados por potências estrangeiras, governos ocidentais acusam o Estado iraniano de usar força excessiva.
As mobilizações, que começaram no final de 2025, ganharam corpo em várias cidades e misturam insatisfação econômica com críticas ao governo. Khamenei chamou parte dos manifestantes de “vândalos” e “sabotadores”, numa tentativa de reforçar a tese de interferência externa. O conselheiro Ali Larijani afirmou que o país vive uma “plena guerra”, atribuindo o ambiente a ações que, segundo ele, visam desestabilizar o Irã. Já Washington nega qualquer participação, apesar de repetir discursos que historicamente antecederam intervenções em outros países da região.
Carros incendiados, bandeira rasgada e multidão nas ruas: VÍDEOS mostram caos no Irã com protestos contra regime Khamenei https://t.co/JchwLszKFy #g1 pic.twitter.com/MSLxvnoKGi
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A atuação das forças de segurança iranianas tem aumentado, e relatos apontam confrontos intensos em várias cidades. Setores da sociedade falam em crise social e política, enquanto Teerã sustenta que enfrenta uma combinação de protestos legítimos com tentativas de sabotagem coordenada. O contexto é agravado pela posição geopolítica do país: ao mesmo tempo em que responde a pressões internas, o Irã lida com confrontos no exterior e com o impacto prolongado das sanções econômicas impostas por organismos internacionais e potências ocidentais.
No discurso interno, o governo iraniano afirma que Washington busca se aproveitar da instabilidade para enfraquecer o país. Já organizações internacionais cobram apuração independente sobre as denúncias de violência nas ruas. Em meio à troca de acusações, países aliados e críticos pedem que o Irã reduza a tensão, enquanto Teerã insiste que grande parte do caos é alimentada por campanhas externas de desinformação e pressão política.
Irã: protestos contra a ditadura já deixam quase 50 mortos, segundo grupos de direito humanos
Governo iraniano ameaçou aumentar ainda mais a repressão caso os distúrbios continuem.
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Além do desgaste interno, o país enfrenta o reestabelecimento de sanções da ONU relacionadas ao programa nuclear — reforçando o isolamento econômico. Com inflação alta, restrições comerciais e conflitos regionais, o Irã tenta manter estabilidade política num cenário em que interesses externos e disputas internas se misturam. A situação segue em aberto e sem sinais claros de descompressão.