“Senti que havia morrido”: o desabafo dos sobreviventes do ataque dos EUA à Venezuela

Atualizado em 11 de janeiro de 2026 às 13:25
O impacto do míssil lançou Wilman González contra a parede, enquanto sua tia Rosa perdeu a vida. Foto: Reuters via BBC

Em 3 de janeiro de 2026, um míssil lançado pelos Estados Unidos atingiu um edifício no litoral da Venezuela, causando a morte de uma idosa e deixando outros moradores gravemente feridos. Wilman González, que estava em seu apartamento no Bloco 12, lembra-se do momento com precisão: “A onda explosiva me atirou contra a parede”, e, caído no chão, ele se despediu dizendo: “Deus, perdoe todos os meus pecados.” No entanto, momentos depois, ele percebeu que estava com uma lasca de madeira enterrada no rosto. “Senti que havia morrido”, disse ele ao recordar o momento do impacto.

O Bloco 12, localizado perto de uma base militar venezuelana, foi um dos principais alvos do ataque, cujo objetivo era a captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. O governo da Venezuela, agora sob o comando de Delcy Rodríguez, denunciou que a operação dos EUA causou cerca de 100 mortes, incluindo civis e militares. Entre as vítimas, estava Rosa González, tia de Wilman, que não resistiu aos ferimentos causados pela queda de uma máquina de lavar sobre ela. “Ela começou a gritar ‘ai, que dor, que dor no braço'”, recordou Wilman, enquanto tentava salvar sua tia.

O impacto da explosão foi tão forte que destruiu várias partes do edifício e atirou os moradores em várias direções. “Pensei que estivessem nos atacando, mas nunca achei que fossem me atacar”, disse Jorge Cardona, de 70 anos, que foi arremessado para um corredor. Cardona e outros vizinhos, como Jesús Linares, de 48 anos, conseguiram sobreviver graças à sua rápida reação durante a explosão, com Linares improvisando bandagens para socorrer uma vizinha ferida.

O Bloco 12, onde morreu Rosa González com o impacto de um míssil norte-americano. — Foto: BBC

Apesar de ser um profissional acostumado a situações de emergência, Linares revelou que o trauma do ataque continua a afetá-lo. “Volta o filme”, disse ele, referindo-se ao momento do impacto do míssil, que ainda o assombra toda vez que o relógio marca 2h da madrugada, o horário exato do ataque. Mesmo com o trauma, Linares se voluntariou para ajudar na reconstrução do Bloco 12, agora um símbolo de dor e destruição.

A situação na Venezuela, que já enfrenta uma grave crise política e econômica, se agrava com os ataques militares. O país, agora sob a tutela dos EUA após a prisão de Maduro, vive um clima de insegurança. A falta de apoio e a destruição da infraestrutura têm deixado os cidadãos ainda mais vulneráveis, com a pressão internacional sobre o governo de Caracas aumentando.

O governo dos EUA, que capturou Maduro em uma operação militar, continua a exercer sua influência sobre a Venezuela, mas o custo humano de suas ações é visível nos relatos dos sobreviventes, como os de Wilman González, que agora vive com a dor da perda e o trauma da guerra. “Não precisamos da guerra, o que precisamos é comer e viver”, grita González, diante dos escombros de sua casa destruída.