VÍDEO – Teerã apoia regime e homenageia mortos em protestos contra “terroristas urbanos”

Atualizado em 12 de janeiro de 2026 às 15:17
Manifestantes em Teerã carregam caixões durante cortejo fúnebre para membros das forças de segurança e civis mortos em protestos. Foto: Irib/Reuters

Nesta segunda (12), milhares de pessoas saíram às ruas de Teerã para apoiar o regime iraniano e homenagear os agentes de segurança mortos durante os protestos contra o governo. De acordo com a mídia estatal do país, a manifestação foi realizada como um ato fúnebre em homenagem aos agentes, com o presidente Masoud Pezeshkian participando da marcha de resistência contra o que ele chamou de “criminosos terroristas urbanos”.

Os protestos no Irã começaram no final de 2025, inicialmente em resposta ao aumento no custo de vida, mas rapidamente se transformaram em um movimento contra o regime que governa o país há mais de 45 anos.

O presidente do Irã, em uma tentativa de acalmar os ânimos, declarou que era dever do governo resolver as preocupações da população, mas que não permitiria que “arruaceiros” causassem danos à sociedade. Em uma entrevista televisionada, Pezeshkian acusou os Estados Unidos e Israel de estarem por trás das manifestações, chamando os protestos de “violentos” e “terroristas”.

Durante o protesto em Teerã, o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, discursou para a multidão e afirmou que os iranianos estão enfrentando uma “guerra em quatro frentes”: um combate econômico, psicológico e militar contra EUA e Israel e uma guerra contra o terrorismo.

Qalibaf relatou que, desde o início dos protestos, 53 mesquitas e 180 ambulâncias foram incendiadas, insistindo que nenhum iraniano atacaria um lugar de culto.

O conflito entre manifestantes e forças de segurança já resultou em inúmeras mortes, com a ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, reportando 648 mortes desde o início dos protestos, enquanto a Hrana contabiliza 538 mortos, incluindo 490 manifestantes e 48 membros das forças de segurança.

As organizações afirmam que mais de 10 mil pessoas foram presas. O governo iraniano não divulgou um balanço oficial das vítimas.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.