
O adolescente que apareceu usando um traje associado nazista durante a formatura das irmãs, em uma faculdade particular de Medicina em Mossoró (RN), divulgou um vídeo pedindo desculpas após a repercussão nacional do caso. A gravação, publicada em uma página no Instagram com autorização dos pais, tenta explicar a escolha da roupa e reafirma que ele não teria compreendido a gravidade do símbolo utilizado.
No vídeo, o jovem afirma que costuma se fantasiar com frequência e que adquiriu o traje em uma feira. “Sempre gostei muito de me fantasiar de vários personagens históricos, como Napoleão, o próprio Jason, ou Capitão América”, declarou.
Ele diz ter imaginado que a roupa seria “só mais uma fantasia”, mas reconheceu que não se tratava disso e que tomou consciência do erro apenas após a repercussão. O adolescente também pediu desculpas à família e ao público que se sentiu ofendido. “Eu peço que me deem outra chance, pois eu estou errado, mas eu não sou um menino assim, eu sou um menino bom”, afirmou.
O episódio viralizou porque as imagens do jovem, divulgadas pelo Blog do Barreto, em trajes que remetem diretamente ao regime nazista, circulavam desde o fim de semana. Ele aparece vestindo blazer cinza com insígnias aplicadas no peito e nos ombros, entre elas símbolos em formato de cruz e uma águia estilizada.
A cruz de ferro presente no uniforme foi uma condecoração militar alemã incorporada pelo Terceiro Reich como símbolo de bravura durante a Segunda Guerra Mundial. O traje incluía ainda calça verde-acinzentada e botas pretas de cano alto, elementos historicamente associados aos militares do regime de Adolf Hitler.
A situação se agravou quando outra imagem registrada na festa mostrou o jovem realizando um gesto semelhante à saudação nazista conhecida como “Heil Hitler”. Ele aparece com o braço direito estendido para a frente e a palma da mão virada para baixo, repetindo um gesto usado pelo Partido Nazista como sinal de fidelidade e culto ao ditador alemão.
Em nota, a produtora responsável pela organização da formatura declarou que o adolescente chegou acompanhado dos pais e não usava nenhuma peça inadequada na entrada. Segundo a empresa, a troca de roupa aconteceu em um momento isolado dentro da festa, sem conhecimento da equipe responsável. A organização informou que, se tivesse percebido a caracterização, teria retirado o jovem e sua família imediatamente.

Os formandos também divulgaram um comunicado coletivo manifestando repúdio ao episódio. Eles afirmam que estavam concentrados nos próprios convidados e que não viram o menor durante o evento. “Estávamos todos focados na celebração e só soubemos pelas redes sociais”, diz o texto.
A turma classificou a postura do adolescente como “atitude irresponsável, negligente e criminosa” e afirmou que medidas cabíveis estão sendo tomadas, embora não tenha detalhado quais providências serão adotadas. “Enquanto médicos, prometemos cuidar, antes de tudo, da vida enquanto bem mais precioso; em tudo o faremos, cumpriremos com a nossa promessa”, concluiu a nota.
A legislação brasileira é explícita ao tratar de manifestações relacionadas ao nazismo. De acordo com a lei nº 9.459/97, que define os crimes de racismo, é proibido fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas e ornamentos que utilizem a suástica para divulgação do nazismo.
A pena prevista varia de dois a cinco anos de reclusão, além de multa. Embora o adolescente seja inimputável por ter menos de 18 anos, a conduta pode ser analisada como ato infracional pelo Judiciário, com eventual aplicação de medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.