
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um apelo público nesta terça-feira (13) para que os iranianos mantenham seus protestos e declarou que “ajuda está a caminho”, sem entrar em detalhes sobre o tipo de assistência que está sendo oferecida. A declaração ocorre em meio à repressão cada vez mais intensa do governo iraniano contra os maiores protestos que o país viveu em anos.
Em uma postagem no Truth Social, Trump escreveu: “Patriotas iranianos, CONTINUEM PROTESTANDO – TOMEM O CONTROLE DE SUAS INSTITUIÇÕES!!!… A AJUDA ESTÁ A CAMINHO”. O presidente também anunciou que cancelou todos os encontros com autoridades iranianas até que as mortes de manifestantes, que ele descreveu como “sem sentido”, sejam interrompidas.

Os protestos no Irã, que começaram em resposta à grave situação econômica, representam o maior desafio interno enfrentado pelo regime clerical iraniano em pelo menos três anos. Este movimento ocorre em um momento de crescente pressão internacional, especialmente após os ataques israelenses e dos EUA contra o país no ano anterior.
Em uma declaração oficial, um representante do governo iraniano revelou que aproximadamente 2 mil pessoas haviam sido mortas durante os protestos, sendo essa a primeira vez que as autoridades reconhecem a alta mortalidade durante a repressão a duas semanas de manifestações. Segundo esse oficial, que pediu anonimato, as mortes de manifestantes e membros das forças de segurança seriam atribuídas a “terroristas”, embora não tenha fornecido mais detalhes sobre quem foi morto.
Na noite de segunda-feira (12), Trump anunciou a imposição de tarifas de 25% sobre os produtos importados de qualquer país que mantenha negócios com o Irã, um dos maiores exportadores de petróleo do mundo. Trump também sugeriu que mais ações militares podem ser uma das opções para punir o Irã pela repressão aos protestos, afirmando anteriormente neste mês: “Estamos prontos para agir.”
Teerã ainda não se pronunciou publicamente sobre a decisão de Trump de implementar tarifas, mas o governo chinês foi rápido em criticar a medida. O Irã, que já está sob pesadas sanções econômicas impostas pelos EUA, exporta grande parte de seu petróleo para a China, sendo também parceiro comercial de outros países, como Turquia, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Índia.
A Rússia se manifestou contra a “interferência externa subversiva” nos assuntos internos do Irã, qualificando as ameaças de ataques militares por parte dos EUA como “categoricamente inaceitáveis”. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia emitiu um comunicado alertando que qualquer uso de distúrbios externos como justificativa para uma agressão contra o Irã, como a realizada em junho de 2025, terá consequências desastrosas para a segurança no Oriente Médio e para a estabilidade global.