
A investigação federal sobre a morte de Renee Good, baleada por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) durante um protesto em Minneapolis, aponta que o responsável pelo disparo não deve ser indiciado criminalmente. Segundo informações do New York Times, investigadores consideram cada vez menos provável que Jonathan Ross, agente envolvido no episódio, seja formalmente acusado.
O caso passou a ser conduzido pelo FBI, que retirou a apuração das mãos da polícia local e assumiu a análise completa do ocorrido. A investigação inclui a conduta do agente, a perícia da arma utilizada e a reconstituição do momento do disparo. Fontes ouvidas pelo jornal afirmam que a divisão de direitos civis do Departamento de Justiça não abriu inquérito específico para apurar eventual violação de direitos civis.
Em vez disso, o foco da apuração foi ampliado para examinar a atuação de grupos de ativistas que acompanhavam ações do ICE em bairros de Minneapolis. O Departamento de Justiça avalia se esses grupos teriam contribuído para o contexto que antecedeu o confronto que terminou com a morte de Good, embora não haja confirmação pública sobre envolvimento direto da vítima em atividades organizadas.
Imagens analisadas pelos investigadores mostram o carro de Renee Good parado por alguns minutos na via. Em seguida, um agente se aproxima do veículo, que começa a se mover, momento em que Jonathan Ross dispara três vezes. Os vídeos não permitem confirmar se o automóvel chegou a atingir o agente antes dos tiros. Após os disparos, o carro colidiu com veículos estacionados.
Após o episódio, a secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, classificou a ação da vítima como “terrorismo doméstico” e afirmou que o agente agiu conforme o treinamento recebido. O presidente Donald Trump também defendeu essa versão, alegando legítima defesa e descrevendo Good e sua esposa como “agitadoras profissionais”.
Especialistas ouvidos criticaram a rapidez da classificação do caso como terrorismo doméstico, apontando que a ausência de um processo judicial formal fragiliza o uso do termo. O episódio ocorre em meio à ampliação de operações do ICE e a disputas judiciais envolvendo o governo federal e autoridades estaduais de Minnesota sobre a legalidade dessas ações.